> Soledad y angustia, dos sentimientos presentes en la iniciación sexual de
> los homosexuales
>
> La culpa y la condena social y familiar hacen que el debut sexual entre
> jóvenes del mismo sexo sea más complejo que entre los heterosexuales,
según
> distintos especialistas consultados por Télam.
>
>
>
>
> por Marta Gordillo
>
> La soledad, la culpa, la angustia y la condena social y familiar, son
> algunas de las dificultades por las que atraviesan los jóvenes que se
> inician sexualmente con otra persona del mismo sexo, según distintos
> especialistas.
>
> "En la homosexualidad estamos hablando de un proceso solitario, culposo y
> vivenciado generalmente como vergonzante", explicó a Télam el
psicoanalista
> Jorge Garaventa, especializado en temáticas sexuales.
>
> Según Garaventa, este debut sexual es más complejo que la primera relación
> entre jóvenes heterosexuales, debido al rechazo y condena social y
cultural
> que aún pervive y a la dificultad interna que tienen algunas personas para
> asumir la identidad homosexual.
>
> En este marco, el psicoanalista destacó que "más que hablar de la
iniciación
> homosexual, debemos referirnos a las formas que obliga la discriminación
> social a que el homosexual ejerza su sexualidad ya desde sus inicios".
>
> A partir de esta premisa, señaló que la iniciación sexual en la persona
> homosexual "se supone doblemente traumática, habida cuenta que es
precedida
> de una asunción de la identidad homosexual, que implica la aceptación,
> condenada socialmente, de que su deseo se dirige a alguien de su mismo
> sexo".
>
> El modelo tradicional heterosexual, legitimado en la sociedad, deja en la
> absoluta soledad y vulnerabilidad a quien desea a alguien de su mismo
sexo,
> sobre todo en la adolescencia, cuando todo es más difícil, para luego
> condenarlo a través de la humillación y discriminación.
>
> Esta situación lleva a que haya gente que, por no sentirse rechazada,
oculte
> o reprima su deseo sexual.
>
> De este modo, la iniciación sexual en estos casos está muy condicionada y
> obstaculizada, lo cual plantea que no haya una edad definida y
generalizada
> de iniciación homosexual como se puede dar en adolescentes o jóvenes
> heterosexuales, sobre los cuales hay estudios y estadísticas.
>
> En palabras de Garaventa, la iniciación de los adolescentes homosexuales
> "suele ser un momento de doble conflictividad, ya que a la falta de
permiso
> social para ejercer libremente la sexualidad se le agrega lo 'inadecuado'
de
> la elección del objeto".
>
> En este plano, contrapuso la situación de los jóvenes heterosexuales, que
se
> "muestran socialmente en pareja y hasta podemos pensar que suelen contar
con
> redes informales de pares que acompañan la iniciación con información
> previa".
>
> Por su parte, el especialista Gustavo Girard, coordinador del área clínica
> del programa de Adolescencia de la UBA, del Hospital Clínicas, señaló que
la
> proporción de homosexuales que van al consultorio de ese centro de salud
"es
> muy bajo".
>
> "Cuando se animan a verbalizarlo es muy posterior a la adolescencia, no
> obstante se puede dar el debut en ese momento, pero no quiere decir que se
> lo revelen a la familia o a su entorno", añadió.
>
> El experto destacó que "no tenemos estudios sobre la iniciación sexual en
la
> homosexualidad, pero según las investigaciones de otros países se da más o
> menos igual que la iniciación heterosexual".
>
> Un aspecto que remarcó Girard es la presencia de "madres que piden que el
> médico interfiera en la orientación sexual del hijo" y precisó que "es
> frecuente la consulta de padres o madres de chicos especialmente varones
que
> no cumplen el rol estereotipado del varón".
>
> "Este es un prejuicio o mito", dijo tras remarcar que "el chico tiene que
> hacer un recorrido y buscar su propio camino".
>
> "No se puede hablar de un momento de definición de la orientación sexual,
> unos se definen en la adolescencia y hay cuadros muy ocultos que se
revelan
> en la adultez o nunca; pero hoy es menos frecuente porque está más
permitido
> y hay menos ocultamiento", dijo.
>
> Girard enfatizó que "la sexualidad es algo que se va construyendo" y
remarcó
> que en la homosexualidad no hay conflicto con la identidad, porque tanto
un
> varón como una mujer que sienten atracción por el mismo sexo, mantienen
> plenamente su género masculino o femenino.
>
> "El problema de la identidad es cuando se siente que uno está en un cuerpo
> equivocado, como el travestismo o transexualidad, que son situaciones
menos
> frecuentes", finalizó.
>
> --------------------------------------------------------------
> Jorge Garaventa
> jorgegaraventa@hotmail.com.ar
> MSN jorgegaraventa@hotmail.com
> www.jorgegaraventa.com.ar
>
> Justicia por l@s jóvenes muert@s de Cromagnón
> Denuncie la violencia doméstica contra la niñez y la mujer.
> En Capital Federal TE 102 (niñez) y 0-800-666-8537 (mujer)
> En Nación 0800-2222-800 (niñez)
> Pregunte en su ciudad
Defesa de Dissertação: “SEXUALIDADE E GÊNERO: A HISTÓRIA ORAL DE ADOLESCENTES COM VIVÊNCIAS DE RUA”
C O N V I T E
SUSTENTAÇÃO PÚBLICA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
“SEXUALIDADE E GÊNERO: A HISTÓRIA ORAL DE ADOLESCENTES COM VIVÊNCIAS DE RUA”
MESTRANDA: Camila Rose Guadalupe Schowonke
BANCA EXAMINADORA:
Profa. Dra. Adriana Dora da Fonseca – FURG (Presidente)
Profa. Dra. Vera Lucia de Oliveira Gomes – FURG (Membro)
Prof. Dr. Ari Nunes Assunção – UNISC (Membro)
Profa. Dra. Giovana Calcagno Gomes – FURG (Suplente)
DATA: 18 de SETEMBRO de 2006
HORÁRIO: 09:00 HORAS
LOCAL:SALA 206 DA ÁREA ACADÊMICA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.
PUC Minas oferece curso a distância em Desigualdade, Raça e Violência
Objetivo:
Promover a reflexão crítica acerca da atual situação de exclusão e violência em que se encontra a maioria da população negra brasileira, a partir da análise de dados que conferem visibilidade às históricas práticas racistas do cotidiano, a fim de contribuir para o processo de mudança qualitativa das relações étnico-raciais no país.
Público-alvo:
Policiais civis e militares, agentes sociais e culturais, professores, estudantes e demais interessados, de quaisquer áreas de conhecimento.
Carga horária:
60 horas (três meses de estudo)
Início:
Outubro de 2006
Inscrições abertas
Inscrições no site www.idhs.pucminas.br
Desde pelo menos o meado da década de 70 e, sobretudo após a de 80, tem se desenvolvido na Europa e nos EUA o que poderíamos chamar de "gay and lesbian history", um ramo da história cultural dedicado ao estudo dos grupos homoeróticos em perspectiva histórica. São trabalhos de antropologia ou sociologia histórica preocupados em resgatar a história da repressão desses grupos, seus códigos culturais próprios e as sociabilidades travadas no seio das subculturas gays ao longo do tempo. Bastaria citar a obra dirigida por J. Salvatore Licata no início dos anos 1980, "Historical Perspectives on Homosexuality" (Ed. Haworth) ou o recentíssimo "Queer Sites - Gay Urban Histories since 1600" (Ed. Routledge, 1999), organizado pelo historiador canadense David Higgs.
No Brasil se trata de um área de estudos ainda muito incipiente, exceto entre antropólogos e sociólogos, com a exceção do etno-historiador Luiz Mott, há décadas dedicado ao tema, sobretudo no tocante aos tempos inquisitoriais. É muito bem-vindo, portanto, este "Além do Carnaval", livro do historiador norte-americano James Green, autor que há mais de 20 anos conhece e pesquisa no Brasil. É livro sobre o "mundo gay" em duas grandes cidades brasileiras, São Paulo e, sobretudo, Rio de Janeiro, desde as últimas décadas do século passado até cerca de 1980, e nele encontramos, num texto primoroso, uma análise vertical das comunidades de homossexuais num período relativamente longo de nossa história, considerando a velocidade da mudança de padrões socioculturais ocorrida neste século agonizante.
James Green se revela, aliás, muito atento a essa variável na análise de seu objeto, procurando verificá-la quer no tocante aos padrões de estigma ou perseguição da homossexualidade, quer quanto aos modelos de comportamento, sociabilidade e identidade dos "homens que procuravam outros homens para aventuras sexuais", para usar uma expressão do autor. A linguagem do livro é mesmo um dos pontos altos da obra, cuja tradução é também excelente, e não apenas pela fluência da narrativa, como pela precisão do vocabulário analítico e descritivo, situado na fronteira entre o linguajar das épocas estudadas e o aparato conceitual do historiador.
O resultado é excelente. Um livro muito documentado e cheio de originalidades, que procura examinar a representação e autoconstrução de um grupo específico: os praticantes do homoerotismo desde a belle époque até os anos 80, tempo em que começaram a se organizar os movimentos de luta pelos direitos dos homossexuais no Brasil.
O primeiro capítulo, "Os Prazeres nos Parques do Rio de Janeiro na Belle Époque Brasileira, 1898-1914", trata de um tempo em que nem por sonho os homossexuais ousavam assumir-se como tais, salvo raras exceções, sendo objeto de fortes estigmas e por vezes da perseguição policial.
Top
Utilizando, entre outras fontes, as crônicas de João do Rio, Green descortina as "esquinas do pecado", a exemplo do afamado "point" do largo do Rossio, onde ficava a praça da Constituição que o governo republicano rebatizou de praça Tiradentes. Analisa, por outro lado, a literatura estigmatizante, incluindo preciosas charges em que o homoerotismo era alvo de deboche. Examina, enfim, o que se poderia chamar de "protopornografia", como o "Rio Nu" e o audacioso conto "O Menino do Gouveia" (1914), de Adolfo Caminha.
O capítulo seguinte, "Sexo e Vida Noturna, 1920-1945", mantém o assunto e o tom, porém alarga a temporalidade e as questões suscitadas por um mundo em transformação. No que toca ao mundo gay, desponta a análise do vocabulário usual para designar os homossexuais, assimilado aliás pelos próprios, desde os antigos termos "sodomitas" e "fanchonos", que caíram em desuso, até a adoção do "viado", com i, e "bicha", cuja origem localiza ali pelos anos 20-30. Desponta o item sobre Madame Satã, "a rainha negra da boemia brasileira". Desponta a análise da topografia do homoerotismo masculino nas duas cidades: pensões, cinemas, banheiros públicos, o que Green faz recorrendo a uma sociologia histórica do grupo pesquisado.
"Controle e Cura", título do terceiro capítulo, versa sobre a literatura médica das primeiras décadas do século, inspirada por intelectuais do porte de Cesare Lombroso (1836-1909), "um dos pioneiros no campo da antropologia criminal". E nisso vale lembrar a pesquisa de um certo Leonídio Ribeiro, diretor de identificação da Polícia Civil do Distrito Federal nos anos 30, baseado na antropometria à moda lombrosiana, de 195 detidos pela polícia por "atentado ao pudor".
Protótipo do "bicha"
Sua conclusão foi a de que o protótipo do "bicha" era a de "um homem jovem, de peso abaixo da média, altura mediana e braços e pernas mais compridos do que o normal, com um tórax pequeno". Supunha, sem explicar o porquê, que o desenvolvimento dos ossos estava relacionado com o sistema hormonal, daí com a sexualidade, provável razão de ter intitulado seu
estudo "Homossexualismo e Endocrinologia", texto ilustrado com fotos.
O quarto capítulo, "Novas Palavras, Novos Espaços, Novas Identidades, 1945-1968", mantém a preocupação com os espaços urbanos do homoerotismo, mas verticaliza o tema da construção de uma identidade "homossexual". Novos espaços vêm à cena, como a Cinelândia ou Copacabana, no Rio, sendo que na última, o "point" na praia ficava em frente ao Copacabana Palace e era chamado pelos "entendidos" de "Bolsa de Valores" -"pela qualidade dos encontros e flertes", esclarece Green, "que ocorriam lá". Mas o ponto alto do capítulo é a discussão da identidade, a lenta, mas determinada, superação do modelo "bicha/bofe", o surgimento de uma literatura "doméstica" própria dos homossexuais, como "Snob", que durou até 1969, e "Gente Gay". É, talvez, o capítulo central do livro.
"A Apropriação Homossexual do Carnaval Carioca" é quase um parêntesis nesta narrativa linear-cronológica adotada pelo autor, texto no qual o autor recua ao início do século e avança até 70, tendo como eixo central a idéia de que o carnaval, seus espaços, ritos e festas, foi sendo lentamente construído como um lugar defensivo e afirmativo, embora multifacetado, da identidade homoerótica. O capítulo final, assume como título o lema "Abaixo a Repressão - Mais Amor e Mais Tesão, 1969-1980", elegendo como objeto a construção de uma identidade afirmativa, o surgimento de movimentos e imprensa militantes.
Grande política
É especialmente interessante a análise que faz o autor da politização do movimento gay em seus primórdios, inclusive no tocante à "grande política", apesar do pouco engajamento dos homossexuais assumidos na resistência ao regime militar e do ocultamento da opção "homo" por parte daqueles que se engajaram nessas militâncias. Tudo isso, vale dizer, sem prejuízo da reconstituição dos espaços gays no cotidiano das cidades e de uma análise sociohistórica rigorosa, que extrapola a dimensão mais visível e deslumbrante do mundo gay assumido.Tem razão, pois, Robert Levine, renomado brasilianista, ao comentar que o livro de Green "traz uma contribuição inestimável a uma área negligenciada da história brasileira".
Além do Carnaval: A homossexualidade masculina no Brasil do século XX
541 págs., R$ 40,00 de James Green. Ed. Unesp (praça da Sé, 108, CEP 01001-900, SP, tel. 0/xx/11/ 232-7171)
Ronaldo Vainfas é professor titular do departamento de história da Universidade Federal Fluminense e autor de "Trópico dos Pecados" (Nova Fronteira).
Red Interamericana de FORMACIÓN EN MUJERES Y DESARROLLO
Curso de actualización profesional “Crítica Epistemológica Feminista”
La Organización Universitaria Interamericana (OUI), El Colegio de las Américas (COLAM), la Red Interamericana de Formación en Mujeres y Desarrollo (RIF-MD), la Universidad Nacional de Tucumán, Argentina y la Coordinación de Universidad Abierta y Educación a Distancia de la Universidad Nacional Autónoma de México (CUAED/UNAM), tienen el gusto de invitar al curso de actualización profesional “Crítica Epistemológica Feminista”, el cual será ofrecido en la modalidad virtual.
FECHA: 23 de octubre al 15 de diciembre de 2006
Duración del curso: Ocho semanas
Idioma: Español
Coordinación académica: Universidad Nacional de Tucumán
OBJETIVOS
El objetivo del curso es acercar a los participantes al debate que ha surgido dentro del feminismo sobre la ciencia moderna, evidenciando la variedad de perspectivas y propuestas que se han formulado alrededor de este tema.
PARTICIPANTES:
Este curso está dirigido principalmente a:
Docentes universitarios vinculados con el área de género y desarrollo.
Capacitadores del sector público, privado y de organizaciones de la sociedad civil con experiencia en el campo de investigación en género y desarrollo.
Estudiantes universitarios de postgrado vinculados con un programa de formación/capacitación en el campo de “Estudios de las mujeres” y/o “Mujeres y desarrollo”.
PROGRAMA DE ESTUDIO:
Los contenidos se desarrollarán a través de dos unidades temáticas:
Unidad 1-
Hacia una Epistemología Feminista
La Crítica Feminista de la Ciencia Moderna
La Categoría “Género” y su Teorización
La supuesta objetividad/neutralidad de la Ciencia
Contexto de surgimiento y desarrollo de algunos rasgos constitutivos de la Ciencia moderna
La revisión posmoderna y la deconstrucción de los esquemas de la ciencia occidental
Unidad 2-
Epistemologías Feministas
En Debate
2.1. La epistemología desde el punto de vista feminista y sus críticas.
2.2. Desde la marginalidad: El “Punto de vista” del feminismo no blanco.
2.3. Feminismos poscoloniales y no-occidentales: La investigación feminista en Latinoamérica
2.4. Implicaciones éticas y políticas
CONSTANCIA DE PARTICIPACIÓN:
Las(os) participantes que completen todas las exigencias del curso recibirán una Constancia de Participación, especificando el número de horas/curso. La Constancia será emitida y firmada por las instituciones implicadas.
REQUISITOS:
Contar con conocimientos y experiencia laboral en el desarrollo de actividades relacionadas con la temática del curso.
Dos años de experiencia en la formación en estudios feministas y/o de género, y vinculación con instituciones de formación, investigación o intervención en género y desarrollo.
Manejo básico de la computadora (procesadores de texto) y acceso a la Internet.
Contar como mínimo con Windows 2000, Navegador Explorer 6 y/o Netscape 5, Flash Player 7, Adobe Acrobat Reader 5 y Java Run 5.
Correcto manejo del idioma español (lectura y escritura).
Completar y enviar el formulario “Solicitud de Admisión” antes del 2 de Octubre de 2006, ya sea por correo electrónico: secretariat@oui-iohe.qc.ca o por Fax: (418) 650-1519
El formulario también está disponible en el sitio Web del COLAM:
http://www.oui-iohe.qc.ca/Colam/es-index_prog.htm
SELECCIÓN DE PARTICIPANTES:
Las(os) participantes serán seleccionadas(os) de acuerdo a su experiencia laboral y/o académica y a la disponibilidad de cupos. Los resultados de la selección serán notificados por correo electrónico en la primera semana de octubre.
COSTO DE MATRÍCULA:
El curso tiene un costo total de US$ 125,00 el cual deberá ser pagado antes del 23 de Octubre de 2006. Las modalidades de pago serán comunicadas a las(os) candidatas(os) aceptadas(os).
CRONOGRAMA:
Actividad Fecha límite
Solicitud de admisión 2 de octubre de 2006
Resultados de selección de estudiantes primera semana de octubre
Pago de matrícula 23 de octubre de 2006
Inicio del curso 23 de octubre de 2006
Para mayores informaciones:
Secretaría General Ejecutiva de la OUI
333, Grande Allée Est, bureau 230
Québec, Québec, Canada G1R 2H8
Tel: (418) 650-1515, Fax: (418) 650-1519
secretariat@oui-iohe.qc.ca
La Red Interamericana de Formación en Mujeres y Desarrollo
es un proyecto de la Organización Universitaria Interamericana/Colegio de las Américas,
financiado por la Agencia Canadiense de Desarrollo Internacional (ACDI).
Prezados colegas,
A Associação dos Pós-Graduandos da FURG – (APG-FURG) convida a todos os
alunos de Pós-Graduação para a ASSEMBLÉIA GERAL.
Pauta: ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA.
Data: 22 de setembro de 2006
Local: Anfiteatro 01 – Pavilhão 4 – Campus Carreiros
Horário: 13:30h
Informações: apg.furg@gmail.com ou pelo telefone 32336657/6656 (com André).
Os interessados em participar da nova diretoria deverão compor suas chapas
e inscrevê-las até o dia 18 de setembro, através do endereço eletrônico
apg.furg@gmail.com
As chapas deverão indicar os nomes para os seguintes cargos:
a) Presidente
b) Vice-Presidente
c) 1º Secretário
d) 2º Secretário
e) Tesoureiro
Maiores informações, vide, em anexo, estatuto da APG-FURG.
Contamos com a participação de todos!
Atenciosamente
André Lemes – Presidente da APG/FURG
Homem é muito bom
por Duilio Ferronato
Num debate na TV, sobre casamento entre homossexuais, um dos participantes disse que, entre homens, a relação era apenas sexual. Tadinho, esse não entendeu nada. Ou ele não conhece nenhum casal gay ou só pensa em sacanagem quando vê um homem.
Sexo para a maioria dos homens é bem fácil mesmo, dá para fazer com homem, mulher, cabrita, galinha, melancia e até buraco na parede. Nisso os gays não são nada diferentes dos héteros. Mas a melhor parte ainda acho que é o namoro. Namorar outro homem é muito bom.
O que pode ser melhor de que uma mão de homem fazendo carinho? Ou quando ele chega de mansinho por trás e te dá um beijinho no pescoço ? Isso é bom demais.
Eu sempre me emociono quando ele traz para casa uma garrafa de vinho para comemorar mais um dia de namoro, diz que pensou em mim o dia inteiro e me enche de beijinhos. Minhas pernas ficam bambas, e o coração até bate diferente. Eu sou bem bobo mesmo.
Quando alguém fica olhando para ele, me dá um ciúme bobinho e, ao mesmo tempo, orgulho de ter um namorado tão bacana. Enquanto lavo a louça, ele sempre vem dar uma encoxadinha para dar uma animada. Nunca quebro nada, mas dá uma tremedeira nas mãos.
Ele prepara o café da manhã bem quietinho e só me acorda na hora em que está tudo pronto. Isso faz meu dia começar muito melhor. Vendo Pina Bausch, meus olhos se encheram de lágrimas e ele tinha levado um lenço para mim e outro para ele. Porque homem que é homem chora junto com o namorado. Mas também rimos muito juntos lendo "Mafalda", deitados na rede.
Homem é muito bom, mas namorado é melhor.
Vale a pena conferir
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AMBIENTALIZAÇÃO DO/A PROFESSOR/A HOMOSSEXUAL NO ESPAÇO ESCOLAR
Se quiser uma cópia do artigo em PDF escreva para complex.lipe@gmail.com
Artigo apresentado na VI ANPED-Sul
07 a 09 de junho de 2006
Santa Maria/RS
AMBIENTALIZAÇÃO DO/A PROFESSOR/A HOMOSSEXUAL NO ESPAÇO ESCOLAR
Profª. Drª. Paula Regina Costa Ribeiro – FURG
Profª. MSc. Guiomar Freitas Soares - FURG
Msn. Felipe Bruno Martins Fernandes – FURG
Bolsista Liani Machado – FURG/CNPq
Resumo:
A discussão das identidades sexuais têm ocupado um importante espaço hoje nas diversas instâncias sociais,
principalmente, aquelas consideradas “anormais” como a homossexualidade e a bissexualidade, visto que, na nossa
sociedade a identidade concebida como “natural”, “normal” e “universal” é a heterossexualidade. Em função da
importância que essa temática adquiriu na nossa sociedade, nesse trabalho, buscamos ver e entender como a
sexualidade tem sido tratada no ambiente escolar, considerando que a percebemos como uma construção histórica e
cultural. Examinamos narrativas de professores gays e de uma professora lésbica a fim de conhecermos como se dá
a ambientalização dos mesmos na instituição educacional. Nessa pesquisa optamos pela investigação narrativa por
ser um campo de possibilidades interpretativas para a pesquisa educacional, em especial no campo da constituição e
formação dos sujeitos. Ao analisarmos as narrativas desses professores/as surgiram vários registros de episódios
sobre a questão da construção da identidade sexual desses indivíduos. Entre as histórias que contam, há várias
recordações sobre como se “perceberam homossexuais”, como foi serem adolescentes homossexuais e como hoje
eles assumem essa identidade no espaço escolar como professores/as.
Palavras-chave: professor/a, homossexualidade, escola.
Introdução
Estamos no início de um novo século, ocasião em que a sociedade em geral vem tornando visíveis as
diferenças e multiplicidades que a caracterizam, razão porque questões relacionadas com corpo, gênero e
sexualidade têm ocupado uma significativa centralidade nas diversas instâncias culturais. A mídia, por exemplo,
através das novelas, filmes, revistas, programas de auditório tem mostrado e debatido as identidades sexuais,
principalmente, aquelas consideradas “anormais” como a homossexualidade e a bissexualidade, visto que, na nossa
sociedade a identidade concebida como “natural”, “normal” e “universal” é a heterossexualidade.
A escola, no entanto, tradicionalmente espaço da normalização e do ajustamento, tem ficado a margem desse
debate, não fala das identidades sexuais, por considerar/entender que existe uma única forma de sexualidade, que
essa temática é uma questão privada, difícil de ser abordada. Sabemos o quanto a escola exerce uma pedagogia da
sexualidade, como coloca Epstein e Johnson (2000, p. 14) as escolas
são lugares onde se desenvolvem, se praticam e se elaboram de forma ativa a identidade sexual
e as de outro tipo. Ali os alunos se “escolarizam”, como seres sexuados e de distinto gênero,
porém também os professores e, em menor grau, outros participantes (pais, mães, sobretudo, e
outros responsáveis pelas crianças, por exemplo). A identidade sexual e outras identidades
sociais, assim como as diversas formas de vida, se produzem em relação com as ofertas
culturais e as condições institucionais da escola. A produção da identidade que se fundamenta na escola nunca é definitiva, nem pode abranger toda a vida (nem sequer a sexual), porém
também é verdade que pode produzir nos indivíduos conseqüências duradouras e de efeitos
múltiplos.
Nesse sentido, desde 2000 o Grupo de Pesquisa Sexualidade e Escola tem buscado, junto às instituições
educacionais da rede pública do município de Rio Grande, investigar discursos e práticas relacionadas à sexualidade,
no ambiente escolar, na tentativa de compreender como as mesmas atuam na constituição das identidades de gênero
e sexuais, das configurações familiares, do prazer, do desejo, das DST/AIDS.
Em função da importância que essa temática adquiriu na nossa sociedade, o Grupo de Pesquisa começou a
questionar sobre como se dá o processo de interação do professor/a homossexual na escola. Como eles/as
percebem os processos que disciplinam/disciplinaram seus corpos no espaço escolar? Como ocorrem as relações
destes indivíduos com os colegas-professores/as, alunos/as e direção da escola? Como suas identidades são veladas
ou reveladas? Como se deu o seu processo de escolarização? A partir desses questionamentos buscamos nessa
pesquisa conhecer como se dá a ambientalização do/a professor/a homossexual na instituição educacional.
Tecendo breves considerações sobre homossexualidade
Embora com muito pouca visibilidade no contexto social, a homossexualidade tem sido objeto de reflexões e
estudos empreendidos por médicos e higienistas desde o século XIX. As pesquisas acadêmicas, porém, cingiam-se
as buscas de medidas sanitárias e repressivas que visavam eliminar ou reduzir os efeitos “perniciosos” da presença
dessas pessoas na sociedade (GÓIS, 2004). Esse discurso médico apontava o homoerótico como um indivíduo
“doente”, portanto sujeito a tratamento e possivelmente a cura. Com o passar dos anos e o surgimento de outras
possibilidades de pensar a homossexualidade, mudança considerável ocorreu na análise dessa questão. Tornou-se
pontual buscar estratégias voltadas à supressão da opressão enfrentada pelos homossexuais, e não mais as origens e
causas de seu modo de ser e das suas supostas conseqüências “maléficas”. Percebe-se hoje, uma maior aceitação
com relação às essas práticas, no entanto, de acordo com o pensamento de Foucault (1982, p. 4) “continuamos a
pensar que algumas dentre elas insultam a “verdade”: um homem “passivo”, uma mulher “viril”, pessoas do mesmos
sexo que se amam...”. Mesmo que não nos deixemos envolver pela idéia de que elas possam constituir uma ameaça à
ordem constituída, temos que concordar com o autor, quando ele afirma que “estamos sempre prontos a acreditar
que há nelas algum ‘erro’” (id.).
Segundo Louro (2004) a homossexualidade e o homossexual são invenções do século XX. Tal afirmação
prende-se ao fato de que em épocas anteriores o relacionamento amoroso entre pessoas do mesmo sexo era
considerado pecaminoso, qualificado como sodomia, ato ao qual, qualquer pessoa poderia sucumbir. Essa
concepção mudou, radicalmente, com o passar dos tempos, sendo que a pessoa reconhecida como homossexual
passou a ser definida como sujeito especial, marcado e categorizado como um desviante e nesse sentido um
segregado. Embora assim definidos e reprimidos pelas autoridades policiais, sanitárias, religiosas e grupos
conservadores, homens e mulheres homossexuais, ainda que de forma um pouco tímida, vêm lutando por visibilidade
e respeito no contexto social.
Spargo (2004, p. 27) coloca que para Foucault a categoria de homossexual “surgiu a partir de um contexto
específico na década de 1870 e que, a semelhança da sexualidade, é preciso considerá-la uma categoria construída do conhecimento, e não uma identidade descoberta”.
Para Louro (2004, p.30), “a homossexualidade produzida através do discurso”, tornou-se questão social
relevante, gravitando, porém, entre a acepção de “anormalidade” ou “inferioridade” apontada por uma facção, e de
“normalidade” ou “naturalidade” defendida outros.
No Brasil os movimentos de organizações homossexuais ainda não ganharam uma visibilidade, se
compararmos com o de outros países como os Estados Unidos e a Inglaterra. Nos anos 70, por exemplo, algumas
manifestações culturais começam a aparecer (revistas, jornais, teatro, música) e a mexer com a opinião pública,
porém, conforme estudos de Green (2000), foram abortadas pela repressão do governo militar. Segundo o
pesquisador (p.157), existia, na época, toda “uma subcultura gay em formação e uma contracultura brotando que já
começava a questionar os papéis rígidos de masculinidade e feminilidade”. O processo de abertura política, que
começou a se encaminhar, ocorreu de forma lenta, se refletindo em todos os setores e afetando todas as iniciativas
contrárias à norma então vigente. Nesse contexto, as organizações que congregavam grupos homossexuais
sobreviveram praticamente na clandestinidade. Nos anos 80, porém, a temática passa a constituir questão de
pesquisa acadêmica e, esse fato, associado ao discurso que defendia a positividade da homossexualidade favoreceu
a construção de novas mentalidades relacionadas à essa questão. A maior visibilidade do movimento de gays e
lésbicas se insinuava na sociedade e as reações já não se caracterizam de forma tão homofóbicas quanto antes. No
entanto, como denuncia Green (2000) na sua pesquisa sobre a história da homossexualidade no Brasil, embora a
homossexualidade masculina tivesse acesso ao espaço público, para as mulheres essa era uma situação inviável.
Segundo nos narra o pesquisador, as lésbicas não poderiam sequer se encontrar na rua. Aquelas que tivessem melhor
condição econômica organizavam festas e reuniões em suas próprias casas e as mais pobres se masculinizavam para
conquistar seu espaço e se impor dentro da sua comunidade. Esse relato nos leva a refletir como a homossexualidade
é atravessada por dimensões de classe, de gênero, de etnicidade, de raça, de nacionalidade e etc. Daí a pluralização
das lutas, isto é, enquanto uns buscam a integração social, outros, como as lésbicas, pelejam pela construção de
comunidades próprias. Embora discordantes, são vozes ouvidas que repercutem.
O advento da AIDS, nos anos 80, determinou a intensificação do preconceito contra os homossexuais e a
própria homossexualidade masculina acabou por se transformar num sinônimo da doença, conhecida nos meios
científicos e na imprensa como câncer gay, peste gay ou peste rosa. A homofobia a partir daí mostrou-se com
enorme crueza, mas em contraposição a tragédia da AIDS, constitui-se também numa motivação para que as
organizações homossexuais se mobilizassem e a própria sociedade buscasse as informações necessárias para o
esclarecimento da população com relação às formas de transmissão do mal, sobre sexo seguro e também quanto a
promoção dos direitos humanos e da solidariedade como princípios básicos do trabalho de prevenção.
No Brasil, como em todo mundo, gays e lésbicas recrudescem suas lutas por sua inclusão no contexto social.
Mas conforme Louro (2004), as várias tendências que começam a emergir ocasionam cisões no movimento, pois,
enquanto uns buscam respeito, reconhecimento, legitimação e inclusão social, outros desafiam as fronteiras de gênero
e sexuais levando a política de identidade homossexual a uma crise. E, é diante dessa realidade que a autora (id.,
p.38) argumenta pela necessidade “de afirmação de uma política e de uma teoria queer”.
Queer significa estranho, esquisito, extraordinário e sem dúvida tem um sentido pejorativo com que são designados os gays e as lésbicas. Segundo Louro (id., p.47) “queer é uma teoria que permite pensar a ambigüidade e
a fluidez das identidades sexuais e de gênero, mas, além disso, também sugere novas formas de pensar a cultura, o
conhecimento, o poder e a educação”.
Segundo Spargo (2004) a teoria queer não é um marco conceitual ou metodológico, mas sim uma rede de
articulações entre o sexo, o gênero e o desejo sexual. Segundo a autora “na teoria, o queer está em perpetua
discordância como o normal com a norma, seja esta a heterossexualidade dominante ou a identidade gay/lesbiana”
(p.53).
Articular a teoria queer com educação não é tarefa fácil, na medida em que esta é o espaço do
disciplinamento, da regra e aquela da transgressão, da contestação. Pensar queer tem a ver com questionar, com
problematizar e aí reside à importância de uma pedagogia e um currículo queer, pela perspectiva de tentar
desconstruir o processo pelo qual alguns sujeitos se tornam “normalizados” e outros “marginalizados”. Ela perturba as
formas convencionalmente previstas de pensar e de conhecer, daí ser considerada provocativa, perturbadora
(LOURO, 2004).
O desprezo pelo/a homossexual ainda é conduta “normal”, “corriqueira” em nossa sociedade. Nesse sentido,
nos questionamos quanto à vivência e às relações daqueles/as assim identificados, ao desenvolver atividades
profissionais numa instituição educacional, em geral organizada dentro de normas convencionais.
Tecendo as estratégias metodológicas: a investigação narrativa
As pesquisas na área educacional têm seguido, nas últimas décadas, os mais variados tipos da abordagem
qualitativa, tendo como um dos objetivos estabelecer a interação do pesquisador com o sujeito pesquisado e seu
contexto sócio-cultural. Essas abordagens defendem a idéia de que o homem só pode ser compreendido dentro de
uma determinada situação cultural, num certo espaço, numa certa época. Dentre as abordagens qualitativas, optamos
pela investigação narrativa.
Connelly e Clandinin (1995) situam as narrativas em uma abordagem qualitativa, uma vez que tal investigação
está baseada na experiência vivida e na qualidade de vida e de educação dos sujeitos da pesquisa, e destacam que:
“a narrativa e a vida vão juntas e, portanto, o atrativo principal da narrativa como método é sua capacidade de
reproduzir as experiências da vida, tanto pessoais como sociais, de formas relevantes e cheias de sentido” (id., p.43).
Os autores, no uso da narrativa na investigação em educação afirmam que os seres humanos são “organismos
contadores de histórias, organismos que, individual e socialmente vivem vidas relatadas. O estudo da narrativa,
portanto, é o estudo da forma como os seres humanos experienciam o mundo” (p.11). Esse é um processo
complexo, que requer um outro olhar para a pesquisa, pois quando recontamos as histórias de experiências passadas
as recontamos tal como se refletem em experiências presentes. Assim, tanto as histórias como seus sentidos vão
sendo (re)elaborados ao longo do tempo, a partir de formas distintas de interpretá-las.
Ao optar por esse tipo de investigação entendemos que as narrativas são construídas e reconstruídas em
relação a textos – da família, da igreja, da escola, da mídia, da medicina, da psicologia, entre outros –, pois a
narrativa da experiência de si é incorporada a partir das vivências e suas relações e “não é algo que se produza em um solilóquio, em um diálogo íntimo do eu consigo mesmo, mas em um diálogo entre narrativas, entre textos”
(LARROSA, 1994, p.70).
Neste campo metodológico, segundo Connelly e Clandinin os métodos de coleta dos dados são variados.
Para esta pesquisa estamos utilizando entrevistas individuais abertas com professores/as homossexuais que trabalham
em escolas do município de Rio Grande/RS. Como a pesquisa está em andamento até o presente momento
entrevistamos três professores gays e uma professora lésbica. Os três professores trabalham, em média há 6 anos em
escolas públicas de Ensino Fundamental (5ª a 8ª) e Ensino Médio nas áreas de Química, Biologia e Português, como
também em cursinhos pré-vestibular. Suas idades variam de 26 a 28 anos. A professora lésbica possui 26 anos e
trabalha em uma instituição privada - cursinho pré-vestibular, nas áreas de Português e Literatura Brasileira.
Tecendo narrativas de professores/a homossexuais
Ao analisarmos as narrativas desses professores/a surgiram vários registros de episódios sobre a questão da
construção da identidade sexual desses indivíduos. Entre as histórias que contam, há várias recordações sobre como
se “perceberam homossexuais”. Esses professores comentam que desde criança mostravam interesses por coisas que
na nossa sociedade são ditas próprias do sexo oposto: Nossa, acho que quando eu era criança, cara. Acho que
assim ó, eu sempre senti esse lado que eu não sabia o que era na real e tal, desde pequeno eu sempre gostei do
lado da força feminina, assim, tipo as minhas grandes ídolas eram a mulher maravilha, a mulher biônica
essas coisas assim, só que eu não sabia o que era ser homossexual (P. gay). Mas todos destacaram que foi na
adolescência que começaram a assumir essa identidade, porém eles falam que foi muito difícil, pois aprenderam que a
sexualidade “normal” era a heterossexualidade, por isso, se sentiam os “anormais”: Acho que com 12, 13 anos eu
me percebi homossexual. Porque eu tive uma experiência homossexual e gostei (P. gay). Olha, na verdade
assim ó, desde criança que eu já despertava o interesse pelo sexo feminino. Aos 14, 15 anos eu já tinha minha
primeira namorada (P. lésbica). Só que foi muito dolorido porque eu custei a me aceitar, eu achava que só eu
no mundo era assim, tipo eu era o errado, deus tinha errado comigo, porque que deus tinha feito isso, tinha
um monte de noia assim na minha cabeça. Entendeu? Eu não me aceitava (P. gay).
Ao narrarem suas memórias escolares na adolescência emergiu o quanto essa instituição por suas imposições
e proibições não possibilita que as identidades gays e lésbicas se tornem visíveis, determinando uma ocultação dos
comportamentos delas provenientes. Como coloca o P. gay: Na realidade é complicado conviver com pessoas
que não eram homossexuais e por ser homossexual eu me repreendia bastante em função dos meus colegas e
professores. Os professores destacaram que quando seus corpos expressavam de forma mais evidente sua
sexualidade eles sofriam vigilância, assédio, repressão, pois seus comportamentos eram considerados desviantes de
acordo com a norma vigente: Assim ó, a partir da quinta série que foi complicado porque na quinta série eu
acho que os outros guris, entende, percebiam que eu era tipo jeito afeminado e tal e tinha aquelas coisas da
brincadeira do banheiro ficavam me mostrando o pênis e pá e era complicado assim (P.gay). A gente sempre
escuta uma piadinha de alguém...Tipo, ah, porque ela gosta de mulher, e, ela tem que gostar de homem,
coisas assim (P. lésbica).
Uma das narrativas importantes trazidas por todos os sujeitos entrevistados foi quanto à questão de se
assumirem, no espaço escolar, enquanto professores gays e professora lésbica. Eles colocaram que assumem essa identidade em vários ambientes: Eu sou assumido em todos os ambientes, minha família sabe, meus amigos
sabem, claro que eu não dou um cartãozinho aqui ó, eu sou o S. gay, mas todo mundo que convive comigo,
sabe quem eu sou porque eu não tenho que usar mascaras, entendeu? (P. gay). Porém, destacam que na escola
essa questão parece ser ainda velada, ou seja, todos “suspeitam” ou “sabem” que esses sujeitos são homossexuais
por suas aparências, modos de falar, andar e agir, mas esta não é uma questão aberta. Como coloca a professora:
Olha, eu nunca falei em aula porque eu acho que não cabia, mas se algum me perguntasse com certeza
entraria no assunto, mas pela aparência. Ou como diz o professor: Não sei se os pais sabem. Mas a diretoria,
os pais me olham com uma cara diferente, isso eu já percebi. Então os pais, tipo, eles te olham com uma cara
diferente e eu vejo cochichos.
Apenas um professor destacou que teve problemas com os alunos/as na escola: Já tive problemas, assim,
no meu 1° ano de serviço de Ensino Fundamental, perguntando, falando, tens que ser mais macho, essas
coisas, né, não é homem suficiente. E eu disse o seguinte: Eu sou homem o suficiente para estar aqui, por ter
passado num concurso. Passei em 1° lugar. Estou aqui e um macho pra mim não é simplesmente um pênis.
Enfrentei barreiras na própria escola por ser gay (P.gay).
Porém houve uma certa unanimidade quanto ao serem respeitados na escola: Sempre fui muito respeitada
porque eu respeito muito as pessoas. Parece que existe um discurso construído da tolerância e do respeito para
com a diversidade sexual. Para Silva (2004, p. 96) “por mais edificantes e desejáveis que possam parecer, esses
nobres sentimentos impedem que vejamos a identidade e a diferença como processos de produção social, como
processos que envolvem relações de poder”.
Os professores colocaram que o assunto da homossexualidade não era abordado na escola enquanto eles
eram estudantes, apenas a professora colocou que o assunto foi tratado na aula de psicologia, mas que hoje eles
buscam tratar dessa temática em suas práticas escolares. Não me lembro de ter tido isso. Depois no curso de
biologia me preocupei com isso e fui fazer no meu estágio eu fiz um curso, um curso de sexualidade que eu
apliquei numa escola. Ai sim, ai eu trabalhei com esses assuntos. Mas nunca ninguém trabalhou com isso (P.
gay). Olha, no meu primeiro grau, nunca nenhum professor, nenhum colega, tocou no assunto. Mas no
segundo grau, eu fiz magistério, a professora de psicologia tocava muito nesse assunto (P. lésbica).
Essa pesquisa tem nos possibilitado repensar as identidades sexuais e estabelecer ao mesmo tempo uma
articulação com a identidade profissional, neste caso, de professores/as. Pela narrativa dos envolvidos na pesquisa,
eles se assumem no contexto social em que vivem, como gays e lésbica, no entanto, a escola ainda é o local, por sua
estrutura, organização e conservadorismo, em que todos ficam bastante reticentes, com relação a sua identidade
sexual. Percebem que são “definidos” como tais, mas esta não é uma questão a ser tratada no grupo. Constata-se na
escola, pelas narrativas dos participantes da pesquisa, um silenciamento bastante acentuado com relação aos
professores homossexuais e seu modo de viver.
É interessante esta constatação, na medida em que vivemos num momento significativo, onde teóricos/as
buscam romper com a lógica binária – heterossexualidade e homossexualidade, e seus efeitos – a hierarquizarão, a
classificação, a dominação e a exclusão (LOURO, 2004). Pretendem eles, através dessa oposição, instigar o
repensar as práticas sociais que dão sentido á sociedade dos nossos dias, e que estão calcadas no regime de poder/saber. Essa é uma forma de pensar queer, que também se estende à cultura, ao conhecimento, ao poder e à
educação, e, portanto, à escola. Não se trata apenas da luta contra as manifestações homofóbicas, que,
inevitavelmente, também ocorrem nas instituições educacionais, mas, principalmente, do aproveitamento desses
espaços como local para o processo de produção das diferenças e como diz Louro (2004, p.48) para trabalhar,
“centralmente, com a instabilidade e a precariedade de todas as identidade”.
Referências Bibliográficas
CONNELLY, S. M. e CLANDININ, D. J. Relatos de experiencia e investigación narrativa. IN. LARROSA, J. et
al. Dejáme que te cuente. Ensayos sobre narrativa y educación. Barcelona: Laertes, 1995, p.11-59.
EPSTEIN, D. e JOHNSON, R. Sexualidades e institución escolar. Madrid: Morata, 2000.
FOUCAULT, Michel. O verdadeiro sexo. In BARBIN, Herculine. Herculine Barbin. O diário de um hermafrodita.
Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.
GATTI, José. Mais amor e mais tesão: história da homossexualidade no Brasil. Entrevista com James N. Green.
Revista de Estudos Femininos vol 8 n.2 Centro de Filosofia e estudos Humanos-UFSC, 2000.
GOIS, João Bosco Hora. Desencontros: As relações entre os estudos sobre homossexualidade e os estudos de
gênero no Brasil. In CARVALHO, Marie Jane Soares e ROCHA, Cristianne Maria Famer (orgs.) Produzindo
Gênero. Porto Alegre: Editora Sulina,2004.
LARROSA, Jorge. Tecnologias do Eu e educação. In: O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Petrópolis:
Vozes, 1994. p.35-86.
LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho. Ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica,
2004.
SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. IN: _____ (org.). Identidade e
diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis: Vozes, 2004.
SPARGO, T. Foucault y Teoria Queer. Madrid: Morata, 2004.
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