Chega de silêncio: Praias de Florianópolis abrigam crimes contra as mulheres  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

 
 
Em meio ao clima de férias, verão, praias lotadas e satisfação do setor turístico, tem-se a impressão de que as belas praias de Florianópolis são lugares isentos de problemas ligados à segurança pública. E é em meio a esta aparente tranqüilidade que situações de violência contra a mulher, que acontecem cotidianamente, permanecem silenciadas e distantes das prioridades do poder público.
Chamo a atenção para um triste episódio ocorrido na última segunda-feira, na praia Brava. Uma mulher estava correndo na praia, ao anoitecer, e foi atacada por um homem, que tentou estuprá-la. Ela reagiu, sofreu diversas agressões no rosto e em todo corpo, mas felizmente conseguiu escapar da tentativa de estupro. Assustada, chamou a polícia, contou o que havia acontecido e pediu ajuda para levá-la para casa, pois estava com medo de encontrar novamente o agressor. Porém, além da violência que sofreu, foi surpreendida pelo descaso da segurança pública, diante da seguinte resposta: "Polícia não é táxi, moça".
Só tive conhecimento deste episódio lamentável porque sou amiga da vítima e soube de toda história com detalhes. O medo, a raiva, a dor, a afronta à dignidade humana, são as únicas marcas que ficaram deste acontecimento. É oportuno dizer que o agressor não foi identificado e continua representando uma ameaça para as mulheres.
O caso é alarmante, porque não funciona de forma isolada. Outra mulher, na praia dos Ingleses, nesta mesma semana, teve um destino ainda mais trágico. Foi agredida, estuprada e morta, em um crime brutal que apavora e causa indignação às moradoras e visitantes da ilha.
Casos como estes se tornam ainda mais lamentáveis quando motivam perguntas sobre por que uma mulher teria saído sozinha à noite, que apenas reforçam posturas machistas e preconceituosas, considerando um pressuposto básico a existência de lugares e horários pré-determinados para homens e mulheres. Por vezes, este questionamento parece até funcionar como justificativa para atos criminosos como o estupro.
E impossível não se revoltar ou ao menos se sensibilizar com situações de violência, envolvendo pessoas conhecidas ou não, quando nos deparamos com a brutalidade e o desrespeito ao ser humano (neste caso, do sexo feminino) que caracterizam tais ações. Espera-se, no mínimo, que existam condições básicas de segurança nos espaços públicos e, no caso de algum crime acontecer, que a vítima conte com todo tipo de assistência e amparo legal. Lamentavelmente, o acesso a estes direitos elementares está longe de ser uma realidade nesta bela (e nem por isso justa) ilha.
Sabe-se que esta não foi a única – e, infelizmente, não será a última – vez que uma mulher é violentada. No Brasil, segundo dados do Portal Violência contra a Mulher, 69% das mulheres já foram agredidas ou violadas. Além disso, uma em cada dez mulheres sofre ao menos um estupro na vida, na maioria dos casos por homens conhecidos. E, ao se tomar como base os índices de agressões, tem-se uma mulher espancada a cada 15 segundos no País.
Diante disso, cabe a nós denunciarmos os casos de violência sexual contra a mulher e cobrarmos o compromisso do poder público com a segurança e a dignidade das mulheres. Afinal, somente superando o silêncio, lutando pela igualdade de gênero e pelo fim do preconceito e conquistando políticas publicas eficientes voltadas à garantia da cidadania plena das mulheres é que se pode romper com a tolerância em torno das práticas de violência.
 
Karina Janz Woitowicz

ONU discrimina Grupos GLBTs  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Advocacy Internacional

Associações Gays continuam a sofrer discriminação na ONU

O Comitê das Nações Unidas sobre Organizações Não-Governamentais reunido em Nova Iorque, Estados Unidos, no último dia 13 de fevereiro, recusou o status consultivo no Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) para três grupos de gays, lébicas e transexuais que permitiria às organizações da sociedade civil participar das sessões da ONU na qualidade de observador. 

O Ecosoc é o órgão coordenador do trabalho econômico e social da ONU, das agências especializadas e de outras instituições integrantes do Sistema das Nações Unidas. O conselho faz recomendações e promove atividades relacionadas ao desenvolvimento, comércio internacional, industrialização e recursos naturais. Além disso, está relacionado com questões sobre direitos humanos, condição da mulher, população, ciência e tecnologia, prevenção do crime e bem-estar social.

Em um empate durante votação, o comitê recomendou negar status consultivo da ECOSOC à federação GLBT espanhola - Federación Estatal de Lesbianas, Gays, Transexuales y Bisexuales (FELGTB). O comitê também adiou a consideração de duas outras federações nacionais de GLBT: COC (Cultuur en Ontspanningscentrum) da Holanda e ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do Brasil que foi adiada pela segunda vez. Ambas ONGs serão portanto reconsideradas na próxima sessão do comitê em maio.

As três organizações solicitaram status consultivo no ECOSOC na ONU, um status observador que permite às Organizações Não-Governamentais participarem das sessões da ONU.

Nas sessões de janeiro do comitê ONG ECOSOC 19 países revisam solicitações e recomendações que são então posteriormente aprovadas ou rejeitadas pela totalidade dos componentes do ECOSOC com 54 membros.

Beto de Jesus (ABGLT – Brasil) diz:
"O adiamento pela segunda vez é obviamente frustrante. Esperamos que nossa associação se torne a primeira do hemisfério sul a representar oficialmente e permanentemente a voz dos gays, lébicas, bissexuais e transexuais em um fórum das Nações Unidas" diz Beto de Jesus que representa a ABGLT, uma federação que congrega mais de 200 grupos GLBT no Brasil. "O fato de termos sido apresentados a uma longa lista de questões às vésperas da revisão de nossa solicitação mostra novamente quão determinada é a oposição à participação".

Joyce Hamilton (COC – Holanda) diz:
"Foi uma primeira experiência traumática na ONU, uma organização que se supõe criada para salvaguardar os direitos e a dignidade de cada ser humano. Esta discriminação flagrante estrutural contra as organizações GLBT mostra a necessidade de uma batalha contínua neste nível. É importante continuar a dialogar com os Estados Membros mais conservadores pelo reconhecimento dos direitos GLBT como direitos humanos e a necessidade de reconhecer a diversidade da população mundial. Status consultivo capacitaria a COC a dirigir-se ao fato de que as Nações Unidas não podem aceitar uma sociedade onde as pessoas sejam discriminadas e marginalizadas com base em sua orientação sexual ou de identidade de gênero. Isto certamente fortaleceu nossa motivação em continuar a lutar".

A federação Espanhola (que também foi adiada previamente) recebeu uma recomendação negativa numa votação empatada. O Comitê ONG somente procedeu a votação do pedido da FELGTB após derrotar uma moção do Egito, Paquistão e Catar para novamente adiar a solicitação. A moção para conceder status foi derrotada numa votação empatada de 7 votos Sim, 7 votos Não, 4 abstenções e um não presente (votar uma moção para conceder que resulta em empate conta como voto para não conceder). Isto é uma grande melhoria quando comparada com os votos para ILGA e LBL dois anos atrás que perderam por uma margem de 9 votos Não contra 5 votos Sim.

Total de votos para se conceder o status consultivo:

• Sim: Colômbia, Dominica, Israel, Peru, Romênia, Reino Unido, Estados Unidos.
• Não: Burundi, China, Egito, Paquistão, Catar, Rússia, Sudão.
• Abstenções: Angola, Guiné, Índia, Turquia
• Não presente: Cuba

Toni Poveda e Sylvia Jaén, Presidente e Secretária geral da FELGTB
tiveram que responder a mais de 20 questões sobre aspectos organizacionais da associação, posições políticas e ainda foram chamados a esclarecer as obrigações da federação com os direitos das crianças.

Eles obviamente lamentam que a recomendação tenha sido negativa mas reconhecem o quanto esta votação permitiu à FELGTB que seu pedido alcançasse o próximo estágio: uma votação sobre esta recomendação pela totalidade da ECOSOC na sessão de julho.

Toni Poveda (FELGBT – Espanha) diz:
"Até mesmo receber esta recomendação negativa no comitê ONG hoje foi difícil. Representantes do Egito, Paquistão e Catar constantemente vinham com questões adicionais para nós e afirmavam que proceder a uma votação sobre conceder ou não o status consultivo ao grupo – antes de todas as questões estarem respondidas – constituiria tratamento preferencial a esta ONG. Reino Unido, Romênia, e outros discordaram, considerando que o comitê ONG havia recebido informação suficiente a fim de tomar as decisões durante esta sessão. A sessão mostrou claramente como os direitos dos GLBT's estão na última fronteira no campo dos direitos universais do homem".

Do seu lado, Sylvia Jaén (FELGTB) desejava mencionar "o grande suporte que tivemos da comissão permanente da Espanha nas Nações Unidas. Eles se engajaram em muitas conversações diplomáticas e leram uma declaração de apoio do governo espanhol. Há claramente um grupo de países neste comitê que insiste em bloquear as solicitações de grupos GLBT sessão após sessão, impedindo-os de alcançar a totalidade do ECOSOC onde suas posições não são a maioria. Nós obtivemos sucesso em ultrapassar estas barreiras mas infelizmente nossos amigos holandeses e brasileiros não".

A natureza das questões respondidas pelos defensores dos direitos GLBT repetidamente tentavam ligar homossexualidade e pedofilia, simplesmente mostrando quão distante está oposição a colocar obstáculos aos grupos GLBT em seu caminho por reconhecimento como membros da sociedade civil.
Nos comentários finais, o Reino Unido afirmou que o comitê ONG discriminava os pedidos dos grupos GLBT e que era direito destas comunidades terem suas vozes ouvidas na ONU. Romênia também lamentou o resultado da segunda moção e o fato de que o comitê ONG "se envolveu num flagrante ato de discriminação hoje", e pontuou o modelo estabelecido para organizações GLBT serem rejeitadas no comitê ONG e então aprovadas no plenário da ECOSOC, mostrando como o comitê ONG lidera esta prática.

Philipp Braun, co-secretário geral da ILGA, Organização Internacional de Gays e Lésbicas diz:
"A comunidade GLBT está claramente ganhando campo nas Nações Unidas como mostrado pelo aumento do suporte de países que antes eram hostis às recomendações GLBT. Há dois anos estávamos numa posição muito mais difícil no comitê ONG e mesmo uma votação empatada era um sonho. A ILGA quer agradecer aos países que apoiaram estas ONGs no comitê. Congratulações aos ativistas da ABGLT, COC e FELGTB que atuaram corajosamente pela busca de seu espaço na ONU. ILGA também deseja agradecer Adrian Coman da Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC) pelo suporte e apoio junto ao comitê".

Informações de suporte:

Em 2005 ILGA iniciou sua "Campanha ECOSOC", uma iniciativa com o objetivo de permitir que defensores dos direitos GLBT tivessem representação na ONU "em seu próprio nome", tentando que grupos GLBT de diversos países solicitassem status no ECOSOC.

Em 2006 e 2007, após dura e demorada consideração pelo ECOSOC, o status consultivo foi concedido a cinco organizações GLBT: ILGA-Europe, regional européia da International Lesbian and Gay Association, as federações GLBT nacionais da Dinamarca, Suécia e Alemanha (LBL, LSVD e RFSL) e Gay and Lesbian Coalition of Quebec, CGLQ. Este desenvolvimento já permitiu a membros da ILGA dirigir-se ao plenário do Conselho dos Direitos Humanos (HCR), que levou o Alto Comissário para os Direitos Humanos Louise Arbour apoiar os direitos GLBT neste fórum. A ILGA tem facilitado a presença de ativistas GLBT no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas desde 2004.

Grupos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais ainda experimentam discriminação no acesso o status consultivo da ONU  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Nova York, Estados Unidos – 11 de fevereiro de 2008. O Comitê das Nações Unidas sobre Organizações Não-Governamentais recusou o status consultivo no Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) para três grupos de gays, lébicas e transexuais. Em um empate durante votação, o comitê recomendou negar status consultivo da ECOSOC à federação GLBT espanhola - Federación Estatal de Lesbianas, Gays, Transexuales y Bisexuales (FELGTB). O comitê também adiou a consideração de duas outras federações nacionais de GLBT: COC (Cultuur en Ontspanningscentrum) da Holanda e ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do Brasil que foi adiada pela segunda vez. Ambas ONGs serão portanto reconsideradas na próxima sessão do comitê em maio.

As três organizações solicitaram status consultivo no ECOSOC na ONU, um status observador que permite às Organizações Não-Governamentais participarem das sessões da ONU.

Nas sessões de janeiro do comitê ONG ECOSOC 19 países revisam solicitações e recomendações que são então posteriormente aprovadas ou rejeitadas pela totalidade dos componentes do ECOSOC com 54 membros.

Beto de Jesus (ABGLT – Brasil) diz:
"O adiamento pela segunda vez é obviamente frustrante. Esperamos que nossa associação se torne a primeira do hemisfério sul a representar oficialmente e permanentemente a voz dos gays, lébicas, bissexuais e transexuais em um fórum das Nações Unidas" diz Beto de Jesus que representa a ABGLT, uma federação que congrega mais de 200 grupos GLBT no Brasil. "O fato de termos sido apresentados a uma longa lista de questões às vésperas da revisão de nossa solicitação mostra novamente quão determinada é a oposição à participação".

Joyce Hamilton (COC – Holanda) diz:
"Foi uma primeira experiência traumática na ONU, uma organização que se supõe criada para salvaguardar os direitos e a dignidade de cada ser humano. Esta discriminação flagrante estrutural contra as organizações GLBT mostra a necessidade de uma batalha contínua neste nível. É importante continuar a dialogar com os Estados Membros mais conservadores pelo reconhecimento dos direitos GLBT como direitos humanos e a necessidade de reconhecer a diversidade da população mundial. Status consultivo capacitaria a COC a dirigir-se ao fato de que as Nações Unidas não podem aceitar uma sociedade onde as pessoas sejam discriminadas e marginalizadas com base em sua orientação sexual ou de identidade de gênero. Isto certamente fortaleceu nossa motivação em continuar a lutar".

A federação Espanhola (que também foi adiada previamente) recebeu uma recomendação negativa numa votação empatada. O Comitê ONG somente procedeu a votação do pedido da FELGTB após derrotar uma moção do Egito, Paquistão e Catar para novamente adiar a solicitação. A moção para conceder status foi derrotada numa votação empatada de 7 votos Sim, 7 votos Não, 4 abstenções e um não presente (votar uma moção para conceder que resulta em empate conta como voto para não conceder). Isto é uma grande melhoria quando comparada com os votos para ILGA e LBL dois anos atrás que perderam por uma margem de 9 votos Não contra 5 votos Sim.

Total de votos para se conceder o status consultivo:

· Sim: Colômbia, Dominica, Israel, Peru, Romênia, Reino Unido, Estados Unidos.
· Não: Burundi, China, Egito, Paquistão, Catar, Rússia, Sudão.
· Abstenções: Angola, Guiné, Índia, Turquia
· Não presente: Cuba

Toni Poveda e Sylvia Jaén, Presidente e Secretária geral da FELGTB
tiveram que responder a mais de 20 questões sobre aspectos organizacionais da associação, posições políticas e ainda foram chamados a esclarecer as obrigações da federação com os direitos das crianças.

Eles obviamente lamentam que a recomendação tenha sido negativa mas reconhecem o quanto esta votação permitiu à FELGTB que seu pedido alcançasse o próximo estágio: uma votação sobre esta recomendação pela totalidade da ECOSOC na sessão de julho.

Toni Poveda (FELGBT – Espanha) diz:
"Até mesmo receber esta recomendação negativa no comitê ONG hoje foi difícil. Representantes do Egito, Paquistão e Catar constantemente vinham com questões adicionais para nós e afirmavam que proceder a uma votação sobre conceder ou não o status consultivo ao grupo – antes de todas as questões estarem respondidas – constituiria tratamento preferencial a esta ONG. Reino Unido, Romênia, e outros discordaram, considerando que o comitê ONG havia recebido informação suficiente a fim de tomar as decisões durante esta sessão. A sessão mostrou claramente como os direitos dos GLBT's estão na última fronteira no campo dos direitos universais do homem".

Do seu lado, Sylvia Jaén (FELGTB) desejava mencionar
"o grande suporte que tivemos da comissão permanente da Espanha nas Nações Unidas. Eles se engajaram em muitas conversações diplomáticas e leram uma declaração de apoio do governo espanhol. Há claramente um grupo de países neste comitê que insiste em bloquear as solicitações de grupos GLBT sessão após sessão, impedindo-os de alcançar a totalidade do ECOSOC onde suas posições não são a maioria. Nós obtivemos sucesso em ultrapassar estas barreiras mas infelizmente nossos amigos holandeses e brasileiros não".

A natureza das questões respondidas pelos defensores dos direitos GLBT repetidamente tentavam ligar homossexualidade e pedofilia, simplesmente mostrando quão distante está oposição a colocar obstáculos aos grupos GLBT em seu caminho por reconhecimento como membros da sociedade civil.
Nos comentários finais, o Reino Unido afirmou que o comitê ONG discriminava os pedidos dos grupos GLBT e que era direito destas comunidades terem suas vozes ouvidas na ONU. Romênia também lamentou o resultado da segunda moção e o fato de que o comitê ONG "se envolveu num flagrante ato de discriminação hoje", e pontuou o modelo estabelecido para organizações GLBT serem rejeitadas no comitê ONG e então aprovadas no plenário da ECOSOC, mostrando como o comitê ONG lidera esta prática.

Philipp Braun, co-secretário geral da ILGA, Organização Internacional de Gays e Lésbicas diz:
"A comunidade GLBT está claramente ganhando campo nas Nações Unidas como mostrado pelo aumento do suporte de países que antes eram hostis às recomendações GLBT. Há dois anos estávamos numa posição muito mais difícil no comitê ONG e mesmo uma votação empatada era um sonho. A ILGA quer agradecer aos países que apoiaram estas ONGs no comitê. Congratulações aos ativistas da ABGLT, COC e FELGTB que atuaram corajosamente pela busca de seu espaço na ONU. ILGA também deseja agradecer Adrian Coman da Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC) pelo suporte e apoio junto ao comitê".


Informações de suporte:

Em 2005 ILGA iniciou sua "Campanha ECOSOC", uma iniciativa com o objetivo de permitir que defensores dos direitos GLBT tivessem representação na ONU "em seu próprio nome", tentando que grupos GLBT de diversos países solicitassem status no ECOSOC.

Em 2006 e 2007, após dura e demorada consideração pelo ECOSOC, o status consultivo foi concedido a cinco organizações GLBT: ILGA-Europe, regional européia da International Lesbian and Gay Association, as federações GLBT nacionais da Dinamarca, Suécia e Alemanha (LBL, LSVD e RFSL) e Gay and Lesbian Coalition of Quebec, CGLQ. Este desenvolvimento já permitiu a membros da ILGA dirigir-se ao plenário do Conselho dos Direitos Humanos (HCR), que levou o Alto Comissário para os Direitos Humanos Louise Arbour apoiar os direitos GLBT neste fórum. A ILGA tem facilitado a presença de ativistas GLBT no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas desde 2004.

Contato: Stephen Barris / ILGA
Tradução: Fabiano Bianchi

www.ilga.org

Abertas inscrições para o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Estão abertas as inscrições para a apresentação de trabalhos e solicitação de bolsas para o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que acontecerá em Florianópolis, Santa Catarina, no período de 25 a 28 de junho de 2008. O prazo para apresentação de trabalhos e solicitação de bolsas vai até 10 de março de 2008. Os formulários e outras informações podem ser acessados no site:  www.aids.gov.br/congressoprev2008.
 
O Congresso é uma iniciativa do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria Estadual de Saude de SC e a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. O tema central desta sétima edição é "Município-mundo". O objetivo é explorar as relações entre o global e o local na formulação de respostas dirigidas ao enfrentamento da epidemia de Aids e das demais Doenças Sexualmente Transmissíveis no campo da saúde pública.
 
A programação engloba mesas-redondas, conferências, oficinas, rodas de conversa e atividades pré-congresso, além da apresentação de trabalhos nas comunicações coordenadas e nas sessões de pôsteres. Fazem parte também da programação atividades culturais desenvolvidas no campo da prevenção, que serão realizadas durante todos os dias do evento.  O evento tem um público previsto de 3.800 participantes, entre gestores, trabalhadores da saúde, educadores, ativistas, estudantes, pesquisadores, instituições governamentais e não-governamentais.
 
Realizado bianualmente desde 1996, o congresso vem se firmando como o principal fórum de debates no campo da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da Aids no país, influenciando a formulação de políticas públicas intersetoriais, as estratégias locais construídas no âmbito da resposta brasileira à epidemia de Aids, a inter-relação entre acesso à saúde e promoção dos direitos humanos e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
 
Estão previstos atividades paralelas, como o "Prêmio Município-Mundo de Fotografia" e uma exposição em homenagem ao escritor gaúcho Caio Fernando Abreu. A programação prevê ainda diversos eventos no período do pré-congresso, a partir do dia 24 de junho, que incluem a realização da III Mostra Saúde e Prevenção nas Escolas, a II Mostra Brasil Afroatitude, além de reuniões, fóruns e cursos sobre temas pertinentes à temática do Congresso.
O prazo para apresentação de trabalhos e solicitação de bolsas iniciou-se em 17 de dezembro de 2007. As propostas deverão ser enviadas pelo site www.aids.gov.br/congressoprev2008. Neste mesmo local, é possível obter maiores informações sobre a programação, eventos paralelos e eventos culturais. O site do congresso será periodicamente atualizado com novas informações sobre o evento e, em breve, estará disponível em espanhol.
Mais informações
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Telefones: 55 (61) 3448-8100 / 8088
Fax: 55 (61) 3448-8090
 

Fazendo Gênero 8 - divulgação  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes


 Fazendo Gênero 8

 

Corpo, Violência e Poder

 

 

Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008

 

 

 

Cronograma e chamada para

 

 PROPOSTAS DOS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

 

 

 

Estamos organizando mais um fazendo gênero, que, nesta edição, terá como tema Corpo, violência e poder entendemos que a conjuntura sócio-política está nos convocando, enquanto pesquisadoras, a revisitar estes temas clássicos dos movimentos feministas e dos estudos de gênero: as lutas a favor do aborto legal e/ou da descriminalização do aborto (no Brasil, no Uruguai, na Argentina, em Portugal, etc.),as fortes reações conservadoras a estas, a politização do tema da violência conjugal, no caso do Brasil, propiciada pela Lei Maria da Penha, os processos de reconhecimento judicial de parcerias homossexuais e o acirramento da homofobia, os dilemas éticos envolvidos nas decisões médicas e judiciais relacionadas às novas tecnologias da reprodução, os paradoxos das novas diásporas internacionais envolvendo dimensões étnicas, de classe e de gênero, a "feminização" da pobreza, as barreiras das mulheres no acesso e no exercício dos poderes institucionais, os avanços e as reações as políticas de cotas.

 Neste momento, estamos divulgando o CRONOGRAMA DE ORGANIZAÇÃO DO FAZENDO GÊNERO 8, abrindo o processo de INSCRIÇÃO DE PROPOSTAS DE SIMPOSIOS TEMÁTICOS, formato que revelou-se adequado aos desejos das participantes do ultimo Seminários, em 2006. Vejam abaixo o cronograma abaixo e, se possível, ajudem-nos a divulgá-lo de forma a garantir a ampla e qualificada participação.

 

 De 3 de dezembro/2007 até 3 de março/2008:  envio de propostas para Seminários Temáticos

17 de março – divulgação dos Simpósios Temáticos selecionados

De 17 de março até 5 de maio de 2008: inscrição de trabalhos(com resumos)nos Simpósios Temáticos

19 de maio – divulgação dos trabalhos aceitos para a composição dos simpósios;

25 de junho – prazo limite para o envio de texto integral do trabalho, para publicação em Anais eletrônicos.

 

 

Maiores informações pelo endereço:

Fazendogenero8@gmail.com

ou pelo telefone 0(48) 3721 8211 ( período da tarde)

Em breve estaremos divulgando o site do evento.



Defesa Dissertação História  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação em História

INSTIGANDO O OLHAR:
as identificações queers nos filmes de Pedro Almodóvar (1999-2004)


Justina Franchi Gallina

Local: Sala 10 (Departamento de História)
Data: 11/02/2008
Hora: 14h


Banca:

Dra. Joana Maria Pedro (UFSC) - orientadora
Dra. Cristiane Beretta da Silva (UDESC/SC) - membro
Dr. Ernesto Aníbal Ruiz (UFSC) - membro
Dra. Roselane Neckel (UFSC) - suplente
Dra. Jaqueline Zarbatto Schimidt (USJ/SC) - suplente

Fetos chutam tumor de útero e salvam a vida da mãe  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

06/02/2008 - 10h35 - Atualizado em 06/02/2008 - 10h37 BBC

Britânica ficou curada de câncer depois que fetos deslocaram tumor com chutes
Da BBC

Uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez foi salva pelos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor.

Michelle Stepney, de 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada para o hospital com um sangramento. No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.

 Foto: Cancer Research UK/Divulgação

Michelle Stepney e suas filhas Alice e Harriet (Foto: Cancer Research UK/Divulgação)
"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle.

Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez.

Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a cada 15 dias.

As gêmeas, Alice e Harriet, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por causa dos efeitos da quimioterapia.

Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. Os médicos acreditam que ela esteja curada.

A britânica disse que deve "a vida às filhas".

No dia 12 de fevereiro, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o câncer.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL288471-5603,00-FETOS+CHUTAM+TUMOR+DE+UTERO+E+SALVAM+A+VIDA+DA+MAE.html

Link para I Conferência Nacional GLBT no ar!  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais


http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/brasilsem/IConf/

Decreto de convocação da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais - Aqui

Portaria de constutição da Comissão Organizadora - Aqui

Regimento Interno - Aqui

Felicitações e congratulações ao povo uruguaio, seus legisladores e governantes  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Curitiba, 29 de janeiro de 2008

 

Excelentíssimo Senhor  Presidente da República Oriental do Uruguai Tabaré Ramón Vázquez Rosas e Excelentíssima  Senhora Senadora Margarita Percovich, 

 

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) é uma rede nacional de 203 organizações, sendo 141 grupos de gays, lésbicas, travestis e transexuais, e mais 62 organizações colaboradoras voltadas para os direitos humanos e Aids.

 

A missão da ABGLT é Promover a cidadania e defender os direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

 

Posto isto, vimos transmitir-lhe, em nosso nome e em nome de todos os nossos compatriotas, as nossas mais calorosas felicitações e congratulações ao povo uruguaio, seus legisladores e governantes pelo advento da lei da "união concubinária" em vigor neste país.

 

O Uruguai merecidamente registrou na história o fato de ser o primeiro país latino-americano a legalizar nacionalmente a união de casais homossexuais.

 

Também é o Uruguai o primeiro país do Mercosul a atender as expectativas  de Direitos Humanos concedendo proteção legal efetiva aos GLBT ( Gays. Lésbicas, Bissexuais,  travestis  e Transexuais), tornando-os sujeitos de direito em termos de legislação federal.

 

Parabenizamos a importância e o destaque do Uruguai por esta titularidade e contribuição humanitária. Esperamos que sirva de exemplo para a maioria dos países que ainda não reconhecem os direitos humanos da comunidade GLBT.

  

Cordialmente  

 

Toni Reis

Presidente da ABGLT

Beauvoir: Centenário de nascimento de uma moça (não muito) bem comportada  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Simone de Beauvoir, ícone feminista 28/1/2008

Centenário de nascimento de uma moça (não muito) bem comportada
Por Thereza Pires

Simone e Sartre
Eva (ou Lilith no Talmud) que saiu da costela de Adão; Afrodite, eternamante, repassando a fita mágica onde estavam todos os encantos (ternura, desejo e persuasão amorosa) a Hera; Pandora e sua caixa que dissemina os males e repercute a negatividade; Deméter - a eterna mãe; Koré - a eterna jovem e por aí vinham as representações da figura feminina, sempre como origem dos males do mundo.

Até que, muitos séculos passados, lutas de militantes visionárias e avanços sociais e tecnológicos inevitáveis começaram a desconstruir o mito. Uma das responsáveis pelo novo enfoque foi a filósofa francesa Simone de Beauvoir ao publicar, em 1949, o ensaio "O Segundo Sexo". Largamente difundido nos Estados Unidos - onde foi traduzido em 1953 - tornou-se uma referência do movimento feminista e nos chegou nos famosos dois volumes: um de capa verde e outro vermelha. Ao analisar a condição inferior da mulher, mostra que a inferioridade não precisa ser um destino.

Foi a Bíblia de uma geração. Ela mesma, um exemplo do que pregava Bonita, bissexual, elegante, de família de classe alta foi preparada para ser "moça bem comportada" - título de uma de suas obras.

Professora de filosofia e escritora, decidiu viver como pensava. Coerente com as idéias de emancipação, Simone e Jean Paul Sartre, mestre e companheiro, assinaram um contrato de convivência de dois anos, renovável, para balizar seu relacionamento: moravam em casas separadas e era proibido mentir. Um outro formato de mulher surgiu, desde então.

"Não se nasce mulher, torna-se mulher"
Simone Lucie Ernestine Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em 9 de janeiro de 1908 e decepcionou profundamente os pais que desejavam ter um filho para que o menino idealizado se formasse em Engenharia. A irmã caçula, Hélène, foi igualmente mal sucedida por também possuir cromossomos XX (femininos). Já que não podiam mudar o destino, Georges e Françoise de Beauvoir, matricularam as filhas em colégio de freiras e, desde a mais tenra idade, Simone se destacou pelas faculdades intelectuais, disputando ano a ano no Cours Desir (onde estudavam as meninas de boas família) o primeiro lugar com Elisabeth Lacoin, a Zazá de sua autobiografia. Na adolescência, já tinha percebido que poderia e deveria ir além da mediocridade e escolheu como meta ser escritora célebre.

A morte de Zazá, melhor amiga, acabou de uma vez por todas com os resquícios de fé. Aos 14 anos, segundo as "Memórias de uma moça bem comportada", já se sentia emancipada da vida familiar. Era competente em literatura, matemática, latim, grego e filosofia e decidiu se aprofundar nessa última matéria. Na Faculdade de Letras da Sorbonne, circulou entre a nata da intelectualidade da época, levada pelas mãos de Jean Paul Sartre de quem foi aluna e, depois, companheira, em uma relação afetiva muito complicada e até hoje discutida nos meios literários. Aos 21 anos, era a professora universitária mais jovem de seu tempo.

"Respeitar alguém é não forçar sua alma sem consentimento".
Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre já haviam trilhado caminhos pioneiros para a época. A relação foi atravessada por mútuos amores paralelos. Os de Simone com as alunas Olga Kosakiewitcz e Bianca Lambline e o envolvimento profundo com o escritor americano Nelson Algreen. Na política, foi seguidora de Sartre em grande parte das idéias mas abraçou a emancipação das mulheres como causa pessoal.

Em "A convidada" ("L'invitée) publicado em 1943, Simone descreve a relação dela, Olga e Sartre com personagens imaginários. O sucesso foi rápido e censura oficial mais ainda. Em junho do mesmo ano, depois de uma acusação de "tentativa de perversão de menores", pela mãe de de Nathalie Sorokine - que dividia um quarto com Simone - o livro foi retirado de circulação. Trabalhou no jornal de esquerda Libération e na Radio-Vichy, onde produziu programas sobre a música através dos tempos.

Publicou "O segundo sexo", em 1949. Esta obra tornou Simone ícone do movimento feminista, nas décadas de 60 e 70. Traduzido em 40 idiomas os dois tomos venderam - e ainda vendem - milhões de exemplares. Alguns capítulos que expunham a sexualidade feminina escandalizaram a sociedade tradicional e provocaram polêmicas, discussões e cisões entre a intelectualidade mundial.

Em 1954 recebeu o Prêmio Goncourt (espécie de Nobel literário francês) por "Os mandarins" e se fixou na posição de "autor francês mais lido no Ocidente". É provável que Monsieur de Beauvoir, o pai desiludido por não ter gerado um macho, estivesse certo quando dizia que Simone tinha "cabeça de homem". Em "Memórias de uma moça bem-comportada" ("Mémoires d´une jeune fille rangée", 1958), Simone conta a história da decadência da família e a luta para fugir do papel estereotipado da burguesia da época.

"Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância."
Mantendo a obra pessoal à parte, funda com Sartre, Raymond Aron, Michel Leiris, Maurice Merleau-Ponty, Boris Viane e outros intelectuais de esquerda o jornal Les Temps Modernes. Para ter a liberdade de difundir o existencialismo, o comunismo e o ateísmo através da literatura, continua a carreira de escritora e, finalmente, consegue a independência financeira. Viajou aos Estados Unidos, Rússia e Cuba e conheceu Che Guevara, Mao Tsé-tung e Richard Wright Visitou o Brasil em 1960. Entrou para o Index do Vaticano (lista de escritores e obras proibidos pela Igreja Católica Romana).

Simone de Beauvoir personalidade às vezes criticada, às vezes aplaudida, nunca é ignorada. Analisou a condição feminina e estudou mitos, religiões e anatomia. Pensou a maternidade, o aborto e a eutanásia. Considerou o casamento uma instituição burguesa preconceituosa e aviltante. Começou sua autobiografia em 1958, descrevendo a relação com o companheiro como "totalmente bem sucedida". Em 1954, publicou "Une mort très douce", segundo Sartre sua melhor obra, descrevendo a morte da mãe e discordando da manutenção artificial da vida. Neste mopmento de luto, conheceu Sylvie Le Bon, jovem estudante de filosofia e aí começa uma relação estranha: maternal, amigável e amorosa, uma reedição da amizade com Zaza, cinquenta anos depois. Sylvie Le Bon foi adotada legalmente e se tornou herdeira de sua obra literária e bens materiais.

Com Gisele Halimi fundou o movimento Choisir (Escolher) a favor da opção voluntária pelo aborto e, com Elisabeth Badinter, lutou pelas mulheres torturadas na Argélia. Visitava fábricas e instituições procurando reunir operários e dirigentes políticos em busca de soluções para um mundo mais justo.

"É horrível assistir à agonia de uma esperança"
Sartre morreu em Paris (1980), tendo Simone de Beauvoir a seu lado como foi combinado desde o princípio em cartório. No controvertido texto "A cerimônia do Adeus" ela dissecou sem dó nem piedade, os dez últimos anos da relação do casal, com detalhes médicos. Em entrevistas gravadas tenta mostrar a manipulação por parte de Benny Lévy, autor do texto "Testamento de Sartre", que teria se aproveitado da " perda das faculdades mentais e intelectuais" do doente e conta que a filha adotiva dele, Arlette Elkaïm-Sartre, teria tido uma "atitude detestável" no episódio.

O livro termina com a frase: "Sua morte nos separa, Minha morte não mais nos reunirá. Foi bom que nossas vidas tenham se acertado durante tanto tempo".

A morte, que não mais os reuniu mas colocou seus restos mortais lado a lado no Cemitério de Montparnasse, chegou em 14 de abril de 1986, por câncer no pulmão. O funeral foi tão concorrido quanto o de Sartre e a perda sentida por mulheres de todo mundo.