DIVULGANDO: Obras Raras e Homoerotismo  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Fonte: www.bn.br


Obras Raras e Homoerotismo

Exposição de livros da Divisão de Obras Raras de 07 de julho a 22 de agosto de 2008 das 10 às 16 horas. Exposição de conteúdo adulto



saiba mais...


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Felipe Bruno Martins Fernandes
Discente
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas
E-mail: complex.lipe@gmail.com
Fone (voip): +55 47 3001 52 21
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Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

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Congresso da ABEH - divulgando  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

 
IV Congresso ABEH

IV CONGRESSO DA ABEH - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS DA HOMOCULTURA

I ENCONTRO HISPANO-BRASILEIRO DE MILITANTES HOMOSSEXUAIS

DE 09 A 12/09/2008

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

INSCRIÇÕES DE 01/05/2008 A 01/07/2008

RETRATOS DO BRASIL HOMOSSEXUAL – FRONTEIRAS, SUBJETIVIDADES E DESEJOS

 

Este "Retrato" foi feito como um quadro impressionista. (...) Desaparecem quasi por completo as datas. Restam somente os aspectos, as emoções, a representação mental dos acontecimentos, resultantes estes mais da deducção especulativa do que da seqüência concatenada dos factos.

PRADO, Paulo. Retrato do Brasil. Cia. Editora Nacional,
1928, p.183.

 

Em 1928, Paulo Prado publicou Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, obra que marca o início das reflexões contemporâneas sobre a identidade nacional, procurando estabelecer um quadro descritor de uma subjetividade ainda em processo e que se (re)formulava desde a efeméride/divisor de águas do centenário da Independência do Brasil.

Oitenta anos após, os atores sociais que ilustram o "retrato" – que se almeja construir no IV Congresso da ABEH - já são outros, como também as relações sociais, intelectuais e artísticas superam àquelas tematizadas na publicação de Prado e imaginadas na empreitada do Modernismo da Semana de 22. Cabe à contemporaneidade e aos seus pensadores procurarem cifrar os aspectos que a cultura e a identidade brasileiras assumem na atualidade, cumprindo assim o atendimento das demandas sociais, dos questionamentos intelectuais sobre quem é e o que é o Brasil no alvorecer do século XXI.

Nesse sentido, o IV Congresso da ABEH "Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos" lança um novo desafio: como, no Brasil contemporâneo, se articulam os diversos retratos que constituem as experiências homossexuais, homoeróticas e os estudos acerca da homocultura?

Com este evento, os organizadores propõem iniciar as discussões acerca do estabelecimento desse recorte, como também suscitar uma ampla discussão acadêmica e social. Isso propicia um projeto maior, que é pensar a homossexualidade e a homocultura no contexto da sociedade brasileira.

Como em Retrato do Brasil, quer-se a busca não só dos elementos que compõem a brasilidade e o brasileiro, mas, também traçar quais subjetividades e identidades estão em consonância ou em confronto quando se fala das representações homoculturais. Não só um retrato em preto e branco, da tristeza do brasileiro e de sua cultura, como também a imagem colorida – e em cores fortes – das questões homossexuais e de sua urgência cultural, política, artística, social e médica, bem como a sua afirmação no âmbito dos Direitos Humanos. Ainda mais se considerarmos que, via de regra – e o livro seminal de Prado não é exceção –, a experiência homossexual não recebeu um olhar adequado, produzido por um esforço hermenêutico coletivo, ao longo do século XX.

Assim, constitui-se como fato de suma importância a realização desse IV Congresso, com vistas ao desdobramento das discussões acima enfatizadas. Ao ressaltarem-se os "Retratos do Brasil Homossexual", reconduzimos "Fronteiras, Subjetividades e Desejos" em nossa sociedade, para a sua maior diversidade cultural e sexual.

Com isso, propomos este evento, a ocorrer entre os dias 9 e 12 de setembro de 2008, na cidade de São Paulo, cujo objetivo é criar indicadores que permitam o desenvolvimento de pesquisas acerca desse sujeito social no país.

Concomitantemente, propomos a realização de um primeiro encontro entre militantes brasileiros e internacionais sob forma da edição do "Encontro Hispano-Brasileiro de Militantes Homossexuais", que se realizará no dia anterior à inauguração do Congresso. Esse intercâmbio promoverá a internacionalização das questões propostas, ao fazer-se com um país de reconhecida reflexão no campo dos estudos homoculturais: a Espanha.

O IV Congresso da ABEH acontece de 8 a 12 de setembro de 2008 a ser promovido junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas  da USP, pelas Áreas de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa, com o tema "Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos", e seus trabalhos articulam-se em torno de seis eixos:

- Retratos da Arte: cinema, fotografia e outras mídias
- Retratos da Imagem: o corpo como discurso
- Retratos Literários: obras, personagens e sentidos
- Retratos sociais: territórios, espaços e subjetividades
- Retratos e Identidades: sujeitos, encenações, culturas
- Retratos da Militância: atuação, direitos humanos, conquistas

IV CONGRESSO DA ABEH - ASSOCIAÇÃO BRASILERIA DE ESTUDOS DA HOMOCULTURA
Av. Luciano Gualberto, 403 - Sala 33 - Prédio de Letras
Cidade Universitária - Butantã - São Paulo - SP  - 05508-900
Tel: 11 3091-4843
abeh2008@uol.com.br - abeh2008@gmail.com
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Felipe Bruno Martins Fernandes
Discente
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas
E-mail: complex.lipe@gmail.com
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Ensino Religioso, Gênero e Sexualidade em Santa Catarina  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Fonte: http://www.nigs.ufsc.br/ensinoreligioso

» Ensino Religioso, Gênero e Sexualidade em Santa Catarina
Esse é o tema de um seminário que será realizado nos dias 15 e 16 de agosto, no Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis. Informações www.nigs.ufsc.br/ensinoreligioso

Seminário: "Ensino Religioso, Gênero e Sexualidade em Santa Catarina"

Debate: Diversidade Sexual e Políticas Públicas  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

O Núcleo Interdisciplinar de Saúde Sexual e Reprodutiva/IFF/FIOCRUZ e a Disciplina Saúde Integral da Mulher/PGSCM/IFF/FIOCRUZ convidam:

 

SESSÃO NOBRE

 

Diversidade Sexual e Políticas Públicas:

Avanços e Desafios colocados pela I Conferência Nacional de Políticas Públicas para Gays,
Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais

 

Eixos Temáticos:

Ø  "Construindo Conhecimentos e Propostas de Políticas de Saúde para a População LGBT"", com Ana Paula Lopes de Melo - Psicóloga Sanitarista Mestranda em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social/UERJ.

 

Ø  "Avanços e Desafios da I Conferência Nacional de Políticas para a População LGBT, com Claudio Nascimento Silva - Superintendente de Direitos Difusos e Coletivos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

 

DIA 26 DE JUNHO DE 2008 ÀS 11:00H

Anfiteatro A – Centro de Estudos Olinto de Oliveira

Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz

Av. Rui Barbosa, 716. Flamengo. Rio de Janeiro

Florianópolis será sede do 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

20-06-2008 14:26:38 - Florianópolis será sede do 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

Pela primeira vez o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids vai acontecer no Sul do Brasil. O encontro pretende reunir 4 mil pessoas de todo o Brasil em Florianópolis entre os dias 25 e 28 de junho. Na abertura oficial do Congresso, na manhã do dia 26, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai falar sobre "Os 20 anos do SUS e a construção da resposta brasileira à epidemia de Aids".

Entre as diversas discussões do Congresso a mesa-redonda "Vacinas e microbicidas: Momento atual e perspectivas no cenário brasileiro" é um dos destaques da programação. A discussão está marcada para o dia 26 de junho a partir das 14h30. Consulte a programação completa no
endereço http://sistemas.aids.gov.br/congressoprevencao/2008/dmdocuments/programacao_cong_prev03.pdf.

Atualmente existem 23 países que realizam pesquisas clínicas de vacinas contra a Aids envolvendo 25 mil voluntários em 46 tipos de diferentes de estudos. No Brasil, o esforço para desenvolver vacinas contra a Aids acontece desde 1992 e conta com o apoio da comunidade científica e da sociedade civil, que atualmente integram os Comitês Técnicos Assessores de Vacina Anti-HIV.

Desde 2001 sete estudos de vacinas preventivas e um estudo de vacina terapêutica para pessoas já infectadas. Todas estas pesquisas no Brasil estão em fase inicial e contam com um orçamento prévio de R$ 4,8 milhões.

Ainda dentro das pautas do Congresso, os métodos de incentivo ao aumento no número de jovens que iniciam sua vida sexual devidamente protegidos será uma outra importante temática ser debatida. Segundo dados do Ministério da Saúde extraídos da Pesquisa sobre "Comportamento Sexual e Percepções Sobre HIV/Aids", realizada em 1998 e 2005 no Brasil, os números indicam que em 1998 47,8 % dos jovens entre 16 e 19 anos usaram preservativo na primeira relação sexual. Em 2005 este índice era de 65,8%.

Outro tema na mesma ordem é o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), que será tema da mesa-redonda "O Cenário atual e perspectivas futuras", que vai acontecer dia 26 de junho às 10 horas. A idéia do projeto é reduzir a vulnerabilidade dos jovens às DSTs, ao HIV e à gravidez precoce.

O Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids acontece a cada dois anos, está na sua sétima edição e é uma promoção dos governos federal, estadual e municipal. O evento acontece no Centro de Convenções de Florianópolis, o Centro Sul. Toda a programação cientifica e cultural do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids é exclusiva para congressistas. Informações sobre inscrições podem ser obtidas no site www.aids.gov.br/congressoprev2008.

Além da programação científica que vai reunir profissionais experientes e de destaque no cenário da prevenção às DSTs no Brasil, a programação cultural irá complementar os debates. Teatro, cinema e diversas outras formas de manifestações culturais, incluindo um espaço exclusivo para a cultura da Ilha de Florianópolis, irão movimentar o evento.

Principais temas do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

- O viver com HIV/Aids hoje: necessidades das PVHA;

- SPE: Cenário atual e perspectivas futuras;

- A AIDS como doença crônica: desafios para atenção à saúde das PVHA

- Acesso ao diagnóstico precoce do HIV: compromisso de gestão;

- Vacinas e microbicidas: momento atual e perspectivas do cenário brasileiro; - -
Direitos sexuais e direitos reprodutivos na agenda da prevenção das DST/Aids;

- Ética, desenvolvimento e prevenção no cenário da globalização;

- Violência, estigma e discriminação: como enfrentar localmente;

- A cooperação sul-sul no âmbito da arquitetura global da epidemia de HIV/Aids;

- Prevenção entre HSH: trilhando novos caminhos,

- Populações indígenas e prevenção das DST/Aids: intelectualidade na integração de políticas;

- Atenção integral à saúde das pessoas privadas de liberdade: gestão e intersetorialidade;

- Características da atuação brasileira no cenário global;

- Assembléia Geral sobre HIV/AIDS das Nações Unidas – a relação com a realidade local;

- Plano operacional para redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis;

- Práticas de prevenção em serviços: transmissão vertical do HIV e da sífilis;

- Compromisso e desafios locais frente a uma epidemia global;

- Do plano à pratica: experiências de implantação dos planos para populações
específicas;

Temas de destaque no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

Restrição da entrada de estrangeiros com HIV

Alguns países restringem a entrada de pessoas com HIV. Existem casos de restrições para viagens curtas (trabalho temporário, visitas pessoais, turismo) ou longas (asilo, emprego fixo, imigração, refúgio, estudo).

1. Realidade mundial

Atualmente, 12 países impedem totalmente a entrada de imigrantes ou turistas com a doença. São eles: Armênia, Brunei, China, Colômbia, Iraque, Coréia do Sul, Líbia, Moldávia, Catar, Arábia Saudita, Sudão e Estados Unidos. Outros 62 países não autorizam estadas longas para quem tem o vírus. A lista completa com os países e o tipo de restrição está disponível em www.eatg.org/hivtravel. Alguns países temem que, sem as restrições, pessoas infectadas pelo HIV tentariam se mudar para os países onde o acesso aos anti-retrovirais é gratuito, o que causaria problemas para os sistemas de saúde desses países.

2. Posição brasileira

O Brasil discorda da teoria de que, sem as restrições, soropositivos tentariam se mudar para países onde o acesso aos anti-retrovirais é gratuito. A prova disso é que, desde 1996, os medicamentos antiaids são distribuídos para todas as pessoas que necessitam no Sistema Único de Saúde (SUS) e não houve emigração em massa. Além disso, a aids não é uma doença que se transmite pelo ar, como a SARS. Portanto, não há motivos para que as restrições existam e a aids não pode ser tratada como apenas uma questão de segurança nacional.

3. Caso mais polêmico

O caso mais polêmico é dos Estados Unidos, onde os turistas com aids ainda precisam esconder a doença se querem entrar no país mesmo como turistas. A lei
norte-americana é do começo dos anos 90, mas até hoje não foi revista. O governo de Washington garantiu que algumas mudanças devem ser anunciadas neste ano. Uma delas seria a de que o portador do HIV poderia entrar nos Estados Unidos se provasse que sua doença estava estabilizada. Para especialistas, essa mudança não é suficiente.

4. Providências adotadas

O Brasil lidera, desde fevereiro de 2008, as negociações internacionais para tentar
acabar com as restrições de viagens para portadores do vírus da aids. O país foi escolhido em reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada em Genebra. Em setembro, serão levadas recomendações sobre o tema para a Assembléia Geral da ONU.

Fonte: Assessoria de Imprensa do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids – Juliana Pamplona/ Karyna Pereira/ Kalyta Camargo – www.alvodecomunicacao.com.br

Seminário Nacional 'Das Margens aos centros'  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Seminário Nacional 'Das Margens aos centros:
sexualidades, gêneros e direitos humanos'
 
Data: 25 a 27 de setembro de 2008
 
Local: Faculdade de Direito
Universidade Federal de Goiás – Goiânia – GO
 
Realização: Ser-Tão, Núcleo de Estudos
e Pesquisas em Gênero e Sexualidade
 
Parcerias:
Museu Antropológico / UFG
Faculdade de Artes Visuais / UFG
Programa de Direitos Humanos / UFG
Programa de Pós-Graduação em Sociologia / UFG
 
Apoio:
Secretaria Especial de Direitos Humanos
(SEDH – Presidência da República)
 
Informações e inscrições: www.sertao.ufg. br/seminario
 
Inscrições gratuitas  
 

 
CHAMADA DE TRABALHOS
 
Estão abertas as inscrições para a apresentação de trabalhos e relatos de experiências no Seminário 'Das margens aos centros: sexualidades, gêneros e direitos humanos', conforme o cronograma abaixo:
 
 
- 12/06/2008 a 02/08/2008 – prazo para envio de propostas de trabalhos e relatos de experiências a serem apresentados nos Grupos de Trabalho (formulário eletrônico disponível em www.sertao.ufg. br/seminario).
 
- 03/08/2008 a 16/08/2008 – prazo para avaliação, pelas/os coordenadoras/ es dos GT, das propostas recebidas.
 
- 19/08/2008 – divulgação dos trabalhos aceitos na página do evento.
 
- 24 de setembro – prazo final para inscrição no Seminário SEM apresentação de trabalho.
 
As/Os expositoras/ es podem ser pesquisadoras/ es, professoras/ es, estudantes de graduação e pós-graduação, integrantes de movimentos sociais ou agentes públicos.
 
Será aceito somente um trabalho por expositor/a, incluindo relatos de experiências. Os trabalhos podem ser propostos por uma/um autor/a e no máximo duas/dois co-autoras/es.
 
As/Os interessadas/ os devem encaminhar resumos expandidos de suas propostas para um dos Grupos de Trabalho, por meio da ficha de inscrição disponível em www.sertao.ufg. br/seminario.
 
No arquivo anexado encontra-se a programação geral do Seminário.
 
Por gentileza, encaminhe esta mensagem para sua lista de contatos.
 
Comissão Organizadora - Ser-Tão

Professora ganha prêmio nacional  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

fonte: http://www.sed.sc.gov.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=414&Itemid=57

Professora ganha prêmio nacional

Por Gabriela Wolff   
11 de junho de 2008
A professora Giuvana Wenk dos Santos, da EBB Dom Pio de Freitas, de Joinville é uma das vencedoras do 2º Prêmio Luís Eduardo Magalhães - Todos pela Educação. Com o tema "Modificando a Escola através da Educação Ambiental - Construindo a Agenda 21 Escolar", a educadora recebeu na última sexta-feira (06), em Salvador o prêmio de R$ 15 mil e um diploma de reconhecimento pelo mérito.

Giuvana criou seu projeto após observar que os alunos não estavam utilizando adequadamente o ambiente escolar. "Envolvemos toda a comunidade, e começamos a executar ações como a revitalização do jardim, da horta, criamos o quiosque da leitura. Os alunos realizaram todo o projeto, desde a pesquisa até a conclusão, então passaram a valorizar e cuidar mais da escola", ressalta. Segundo a educadora, todos os professores se envolveram, por se tratar de um tema interdisciplinar.

Com 13 anos de experiência lecionando Língua Portuguesa, Giuvana vê o prêmio como um incentivo para todos os educadores criarem novas práticas pedagógicas que melhorem o ensino público no Brasil. "Somente seis trabalhos foram premiados no país inteiro, então ter o nosso escolhido é motivo de muito orgulho para a escola", observa. A diretora Iria Éclair Stoeberl da Silva e a responsável por projetos na EBB Dom Pio de Freitas, Profª. Mary Elizabeth de Mello Paino assessoraram a professora Giuvana durante todo o processo.

O Prêmio Luís Eduardo Magalhães foi criado em 2006, com o objetivo de incentivar a qualidade do ensino público no Brasil, reconhecendo e valorizando os trabalhos desenvolvidos por docentes da rede pública. Nesta edição foram premiados três projetos municipais e três estaduais.


Discurso de Lula na I Conferência Nacional GLBT  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de abertura da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - GLBT
Centro de Convenções – Brasília-DF, 05 de junho de 2008
 
            Meu caro companheiro Paulo Vannuchi, secretário especial dos Direitos Humanos,
            Meu caro companheiro José Gomes Temporão, ministro da Saúde,
            Meu caro Carlos Eduardo Gabas, ministro interino da Previdência Social,
            Meu querido companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
            Meu querido companheiro José Antonio Toffoli, advogado-geral da União,
            Meu querido companheiro Elói Ferreira de Araújo, ministro-chefe interino da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial,
            Nossa querida companheira Nilcéa Freire, secretária especial de Política para as Mulheres,
            Minha companheira Marisa,
            Minha querida companheira Cida Diogo, presidente da Frente Parlamentar da Cidadania GLBT, em nome de quem cumprimento todos os companheiros parlamentares aqui presentes,
            Meu querido companheiro Tony Reis, Fernanda Benvenuti e Negra Cris, por meio de quem quero cumprimentar todas as delegadas e delegados presentes a esta I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais,
            Companheiros convidados,
            Meu querido companheiro Sérgio Mamberti,
            Minha querida companheira Arlete,
            Meus queridos companheiros representantes de delegações estrangeiras aqui presentes – eu sei que são 14 países participando desta I Conferência,
            Companheiros e companheiras da imprensa,
            Meus amigos,
            Minhas amigas,
            Companheiros e companheiras,
 
            Primeiro, Paulinho, eu queria te agradecer por este momento. O Paulinho, no ano passado, me procurou para dizer que, de todas as conferências, de tantas que nós já fizemos... Já foram 49 conferências nacionais que nós fizemos. Certamente já envolvemos, ao todo, mais de 3 milhões e meio de brasileiros e brasileiras, de todo o território nacional. Neste ano que se inicia, nós estamos fazendo a I Conferência, e o Paulinho falou: "Lula, é importante" – ele não me chama de Lula, me chama de Presidente, apesar dos 40 anos de amizade –, "nós precisamos fazer essa Conferência. E eu queria saber se o Presidente a convocará por decreto". Eu disse: "Paulinho, prepara o decreto, que nós a convocaremos por decreto".
            E por que eu comecei elogiando o Paulinho? Paulinho, eu penso que o Temporão disse uma coisa aqui que, se alguém não gravou, é importante gravar, porque eu acho que o seu discurso é antológico. Quem faz muito discurso, tem dia que acerta, tem dia que não acerta.
            Você que grava novela, Serginho, não é assim? Tem dia que você vai lá, grava um texto em 30 segundos e vai embora; e tem dia que aquele texto de 30 segundos leva 3 horas para gravar. Eu me lembro de que uma vez nós ficamos com o Suplicy das 9 da noite às 3 da manhã para gravar um texto, acho que de 35 segundos.
            Bem, meus companheiros, eu quero agradecer a vocês por estar vivendo este dia. Não é fácil para um presidente da República, nem aqui no Brasil e nem em outro país do mundo, participar de eventos que envolvam um segmento tão grande, tão heterogêneo e tão motivo de preconceitos com vocês. Não é fácil.
            Então, quando o Tony Reis fala que nunca antes na história do Planeta um presidente convocou uma conferência como esta, eu fico orgulhoso porque nós estamos vivendo no Brasil um momento de reparação.
            Eu tenho dito, Paulinho, quando vou inaugurar obras do PAC nas favelas, que o que nós estamos fazendo é uma reparação de governantes irresponsáveis que, durante 50 ou 60 anos, deixaram os pobres se amontoarem em lugares que não deveriam se amontoar. Na verdade, se quando aparecessem os primeiros grupos de pobres, o prefeito e os vereadores fossem lá e cuidassem deles, os colocassem num lugar mais adequado, não permitiriam que virassem cidades, não permitiriam a quantidade de gente morando de forma degradante neste País. Houve momentos de irresponsabilidade. Então, eu tenho dito que nós estamos fazendo um processo de reparação. E o Brasil precisa de um processo de reparação.
            Quando eu recebi, no Palácio do Planalto, os nossos queridos companheiros e companheiras catadores de papel, o companheiro lá de São Paulo fez um discurso, e dizia: "Presidente, se a gente não conquistar mais nada na vida, só o fato de a gente estar colocando o pé dentro do Palácio do Planalto, já terá valido a pena, porque nós nunca imaginamos passar nem perto do Palácio do Planalto".
            Eu participei com a companheira Nilcéa, no Rio de Janeiro, há dois anos, acho que foi do Dia do Combate à Aids, se não me falha a memória, e eu dizia para a Nilcéa: nós precisamos criar no Brasil o Dia do Combate à Hipocrisia. Eu sei que isso fere pessoas, deixa outras angustiadas, mas o dado concreto é que, se eu não conseguir criar, alguém vai criar, Nilcéa. Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, Tony, tudo ajuda, mas é um processo cultural. É um processo que passa por uma revolução cultural de as pessoas irem compreendendo que precisamos nos gostar do jeito que somos, que não precisamos querer que ninguém seja igual. Mesmo nesta platéia, é bem possível que tenha diferenças, que tenha preconceitos, uns achando "eu posso isso, mas aquele não pode aquilo". Se nós não arejarmos a cabeça, a despoluirmos de preconceitos, não cumpriremos o que o Paulinho pediu aqui, que é a unidade em torno das coisas votadas no Congresso Nacional.
            Eu vou dizer a vocês o mesmo o que eu disse no encontro que nós fizemos da Conferência da Igualdade Racial. Nós temos um grande projeto para fazer o Estatuto da Igualdade Racial dentro do Congresso Nacional. Eu fui muito claro aos companheiros delegados: se vocês não se colocarem de acordo, por mínimo que seja, alguém terá que abrir mão de alguma coisa para construir o consenso para o Congresso Nacional votar. Se vocês estiverem divididos dentro do Congresso, não haverá Estatuto da Igualdade Racial nem hoje e nem nunca.
            Vocês vão ter três dias de Conferência e, livremente, irão discutir, discursar, escrever, retratar e apresentar uma proposta para o governo. Posso dizer a vocês: o tratamento que vocês terão, com o documento que apresentarem, será igual ao tratamento que nós demos às 49 conferências que aconteceram antes da de vocês. Se não for assim, nós estaremos fazendo apenas uma meia democracia, aquela democracia que pode aparecer na hora que eu quero, quando eu preciso, mas que não é plena, não paira 24 horas em cima das nossas cabeças, em cima da cabeça daqueles que, por preconceito, não querem entender o jeito de ser de cada um.
            Obviamente que nós também seremos honestos, como fomos honestos com as outras conferências. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer com o mesmo companheirismo: companheiros, isso aqui não dá, isso aqui não passa, isso aqui não vai. Se não estabelecermos essa relação companheira entre nós, terminaremos a Conferência e voltaremos a ter as desconfianças que tínhamos antes de entrar aqui.
            Eu disse que agradecia o fato de estar aqui hoje, porque uma vez eu disse que todo político é cheio de certezas, todo político é cheio de convicções muito precisas. As pessoas se assustavam quando eu dizia: "Olha, eu sou a metamorfose ambulante". Na minha vida, eu penso que tenho tudo definido. No dia seguinte eu aprendo que tem uma coisa que ainda não estou definido, e que eu preciso me definir; que tem uma coisa que eu era contra, agora sou a favor; que tem uma coisa que eu não concordava, agora eu concordo. É esse o jeito de governar uma família que tem 190 milhões de filhos. Não é filho único, não temos apenas uma religião, não temos apenas uma opção sexual. Disseram bem, todos os que falaram aqui, do Paulinho ao companheiro Temporão: ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo? É mais fácil falar do que transformar as palavras em coisas concretas, porque aí é preciso medir a correlação de forças na sociedade. Mas uma coisa sagrada vocês fizeram: conseguiram quebrar a casca do ovo, conseguiram gritar para o Brasil que vocês existem e que não querem nada a mais, nem nada a menos do que ninguém. Vocês querem ser brasileiros, trabalhar e viver respeitados, como todos querem ser respeitados no mundo.
            Por isso eu quero dizer a vocês que, quando nós assinamos o Decreto, as pessoas começaram: "Mas você vai, Presidente?" Você sabe o que eu senti quando coloquei o boné na cabeça, Tony? O mesmo preconceito que tinha contra mim quando, pela primeira vez, eu coloquei o boné do Movimento dos Sem-Terra na minha cabeça. Eu nunca apanhei tanto. Eu era recém-presidente da República, recém-empossado, e coloquei o chapéu dos Sem-Terra na cabeça. Eu apanhei acho que mais de um mês na imprensa. Eu poderia colocar chapéu do Banco do Brasil, do Banco Real, do Bradesco, da Vale do Rio Doce, da Petrobras, do Corinthians, do Flamengo, do Vasco, eu poderia falar qualquer... Agora, eu não poderia colocar dos Sem-Terra, e me veio uma luz: eu vou colocar todos, porque somente assim vou quebrar o preconceito que as pessoas têm, de achar que você pode ou não pode fazer as coisas.
            É gratificante vir aqui porque a gente sai aprendendo uma lição, a lição da maturidade política do Movimento, a lição da compreensão de que só existe um jeito de, cada vez mais, a sociedade reconhecer o Movimento: é cada vez mais brigar, é cada vez mais andar de cabeça erguida, é cada vez mais brigar contra o preconceito, é cada vez mais denunciar as arbitrariedades. Somente assim a gente vai conquistar a cidadania plena e poder, todo mundo, andar de cabeça erguida nas ruas, sem ninguém querer saber o que nós somos, apenas que somos brasileiros e brasileiras e que queremos construir este País sem preconceitos.
            Eu conheço líderes importantes. Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país. Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: "no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo". Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história.
            Quero dizer a todos vocês, companheiros e companheiras: Deus ilumine vocês, e apresentem aqui a proposta que vocês entenderem seja a melhor e que possa garantir... Eu posso dizer a vocês: no que depender do apoio do governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos Ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste País.
            Eu me lembro, Paulinho... Acho que não te contei, porque isso ainda não é do seu tempo. Você sabe que uma vez eu descobri que aqui, em Brasília – o Paulinho já era ministro –, tinha o problema de uma lei que não permitia que o portador de deficiência física – sobretudo a pessoa que tinha um problema de visão – andasse no transporte com seu cão-guia, pegasse o metrô, entrasse no supermercado, entrasse na igreja. Aí eu falei: "Paulinho, nós vamos convocar uma reunião dentro do Palácio do Planalto, com os cachorros lá. Os cães vão entrar dentro do Palácio do Planalto porque, na verdade, os cães são uma extensão daquele companheiro que é portador de deficiência visual".
            Eu acho que são exemplos assim que a gente vai tendo que fazer, cada vez mais, até que um dia consiga andar na rua sem perceber ninguém olhando meio de esguelha para a gente, aquele olhar de lado, aquele olhar desconfiado.
            Então, eu acho que este dia é, realmente, histórico. Eu penso que vocês não têm ainda a dimensão do que este dia pode causar, como efeito multiplicador de quebra de preconceitos e de conquista de direitos.
            É uma pena, meus queridos deputados – quero agradecer a presença de vocês –, que mais deputados e senadores não tenham vindo. É uma pena porque, ao ver vocês, eles iriam tomar um susto, e iam fazer uma exclamação: "São iguais a mim" Quem sabe voltassem para suas atividades com menos ranço e com menos preconceito.
            Boa sorte, boa Conferência. Que Deus abençoe a todos vocês.
Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de abertura da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - GLBT
Centro de Convenções – Brasília-DF, 05 de junho de 2008
 
            Meu caro companheiro Paulo Vannuchi, secretário especial dos Direitos Humanos,
            Meu caro companheiro José Gomes Temporão, ministro da Saúde,
            Meu caro Carlos Eduardo Gabas, ministro interino da Previdência Social,
            Meu querido companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
            Meu querido companheiro José Antonio Toffoli, advogado-geral da União,
            Meu querido companheiro Elói Ferreira de Araújo, ministro-chefe interino da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial,
            Nossa querida companheira Nilcéa Freire, secretária especial de Política para as Mulheres,
            Minha companheira Marisa,
            Minha querida companheira Cida Diogo, presidente da Frente Parlamentar da Cidadania GLBT, em nome de quem cumprimento todos os companheiros parlamentares aqui presentes,
            Meu querido companheiro Tony Reis, Fernanda Benvenuti e Negra Cris, por meio de quem quero cumprimentar todas as delegadas e delegados presentes a esta I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais,
            Companheiros convidados,
            Meu querido companheiro Sérgio Mamberti,
            Minha querida companheira Arlete,
            Meus queridos companheiros representantes de delegações estrangeiras aqui presentes – eu sei que são 14 países participando desta I Conferência,
            Companheiros e companheiras da imprensa,
            Meus amigos,
            Minhas amigas,
            Companheiros e companheiras,
 
            Primeiro, Paulinho, eu queria te agradecer por este momento. O Paulinho, no ano passado, me procurou para dizer que, de todas as conferências, de tantas que nós já fizemos... Já foram 49 conferências nacionais que nós fizemos. Certamente já envolvemos, ao todo, mais de 3 milhões e meio de brasileiros e brasileiras, de todo o território nacional. Neste ano que se inicia, nós estamos fazendo a I Conferência, e o Paulinho falou: "Lula, é importante" – ele não me chama de Lula, me chama de Presidente, apesar dos 40 anos de amizade –, "nós precisamos fazer essa Conferência. E eu queria saber se o Presidente a convocará por decreto". Eu disse: "Paulinho, prepara o decreto, que nós a convocaremos por decreto".
            E por que eu comecei elogiando o Paulinho? Paulinho, eu penso que o Temporão disse uma coisa aqui que, se alguém não gravou, é importante gravar, porque eu acho que o seu discurso é antológico. Quem faz muito discurso, tem dia que acerta, tem dia que não acerta.
            Você que grava novela, Serginho, não é assim? Tem dia que você vai lá, grava um texto em 30 segundos e vai embora; e tem dia que aquele texto de 30 segundos leva 3 horas para gravar. Eu me lembro de que uma vez nós ficamos com o Suplicy das 9 da noite às 3 da manhã para gravar um texto, acho que de 35 segundos.
            Bem, meus companheiros, eu quero agradecer a vocês por estar vivendo este dia. Não é fácil para um presidente da República, nem aqui no Brasil e nem em outro país do mundo, participar de eventos que envolvam um segmento tão grande, tão heterogêneo e tão motivo de preconceitos com vocês. Não é fácil.
            Então, quando o Tony Reis fala que nunca antes na história do Planeta um presidente convocou uma conferência como esta, eu fico orgulhoso porque nós estamos vivendo no Brasil um momento de reparação.
            Eu tenho dito, Paulinho, quando vou inaugurar obras do PAC nas favelas, que o que nós estamos fazendo é uma reparação de governantes irresponsáveis que, durante 50 ou 60 anos, deixaram os pobres se amontoarem em lugares que não deveriam se amontoar. Na verdade, se quando aparecessem os primeiros grupos de pobres, o prefeito e os vereadores fossem lá e cuidassem deles, os colocassem num lugar mais adequado, não permitiriam que virassem cidades, não permitiriam a quantidade de gente morando de forma degradante neste País. Houve momentos de irresponsabilidade. Então, eu tenho dito que nós estamos fazendo um processo de reparação. E o Brasil precisa de um processo de reparação.
            Quando eu recebi, no Palácio do Planalto, os nossos queridos companheiros e companheiras catadores de papel, o companheiro lá de São Paulo fez um discurso, e dizia: "Presidente, se a gente não conquistar mais nada na vida, só o fato de a gente estar colocando o pé dentro do Palácio do Planalto, já terá valido a pena, porque nós nunca imaginamos passar nem perto do Palácio do Planalto".
            Eu participei com a companheira Nilcéa, no Rio de Janeiro, há dois anos, acho que foi do Dia do Combate à Aids, se não me falha a memória, e eu dizia para a Nilcéa: nós precisamos criar no Brasil o Dia do Combate à Hipocrisia. Eu sei que isso fere pessoas, deixa outras angustiadas, mas o dado concreto é que, se eu não conseguir criar, alguém vai criar, Nilcéa. Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, Tony, tudo ajuda, mas é um processo cultural. É um processo que passa por uma revolução cultural de as pessoas irem compreendendo que precisamos nos gostar do jeito que somos, que não precisamos querer que ninguém seja igual. Mesmo nesta platéia, é bem possível que tenha diferenças, que tenha preconceitos, uns achando "eu posso isso, mas aquele não pode aquilo". Se nós não arejarmos a cabeça, a despoluirmos de preconceitos, não cumpriremos o que o Paulinho pediu aqui, que é a unidade em torno das coisas votadas no Congresso Nacional.
            Eu vou dizer a vocês o mesmo o que eu disse no encontro que nós fizemos da Conferência da Igualdade Racial. Nós temos um grande projeto para fazer o Estatuto da Igualdade Racial dentro do Congresso Nacional. Eu fui muito claro aos companheiros delegados: se vocês não se colocarem de acordo, por mínimo que seja, alguém terá que abrir mão de alguma coisa para construir o consenso para o Congresso Nacional votar. Se vocês estiverem divididos dentro do Congresso, não haverá Estatuto da Igualdade Racial nem hoje e nem nunca.
            Vocês vão ter três dias de Conferência e, livremente, irão discutir, discursar, escrever, retratar e apresentar uma proposta para o governo. Posso dizer a vocês: o tratamento que vocês terão, com o documento que apresentarem, será igual ao tratamento que nós demos às 49 conferências que aconteceram antes da de vocês. Se não for assim, nós estaremos fazendo apenas uma meia democracia, aquela democracia que pode aparecer na hora que eu quero, quando eu preciso, mas que não é plena, não paira 24 horas em cima das nossas cabeças, em cima da cabeça daqueles que, por preconceito, não querem entender o jeito de ser de cada um.
            Obviamente que nós também seremos honestos, como fomos honestos com as outras conferências. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer com o mesmo companheirismo: companheiros, isso aqui não dá, isso aqui não passa, isso aqui não vai. Se não estabelecermos essa relação companheira entre nós, terminaremos a Conferência e voltaremos a ter as desconfianças que tínhamos antes de entrar aqui.
            Eu disse que agradecia o fato de estar aqui hoje, porque uma vez eu disse que todo político é cheio de certezas, todo político é cheio de convicções muito precisas. As pessoas se assustavam quando eu dizia: "Olha, eu sou a metamorfose ambulante". Na minha vida, eu penso que tenho tudo definido. No dia seguinte eu aprendo que tem uma coisa que ainda não estou definido, e que eu preciso me definir; que tem uma coisa que eu era contra, agora sou a favor; que tem uma coisa que eu não concordava, agora eu concordo. É esse o jeito de governar uma família que tem 190 milhões de filhos. Não é filho único, não temos apenas uma religião, não temos apenas uma opção sexual. Disseram bem, todos os que falaram aqui, do Paulinho ao companheiro Temporão: ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo? É mais fácil falar do que transformar as palavras em coisas concretas, porque aí é preciso medir a correlação de forças na sociedade. Mas uma coisa sagrada vocês fizeram: conseguiram quebrar a casca do ovo, conseguiram gritar para o Brasil que vocês existem e que não querem nada a mais, nem nada a menos do que ninguém. Vocês querem ser brasileiros, trabalhar e viver respeitados, como todos querem ser respeitados no mundo.
            Por isso eu quero dizer a vocês que, quando nós assinamos o Decreto, as pessoas começaram: "Mas você vai, Presidente?" Você sabe o que eu senti quando coloquei o boné na cabeça, Tony? O mesmo preconceito que tinha contra mim quando, pela primeira vez, eu coloquei o boné do Movimento dos Sem-Terra na minha cabeça. Eu nunca apanhei tanto. Eu era recém-presidente da República, recém-empossado, e coloquei o chapéu dos Sem-Terra na cabeça. Eu apanhei acho que mais de um mês na imprensa. Eu poderia colocar chapéu do Banco do Brasil, do Banco Real, do Bradesco, da Vale do Rio Doce, da Petrobras, do Corinthians, do Flamengo, do Vasco, eu poderia falar qualquer... Agora, eu não poderia colocar dos Sem-Terra, e me veio uma luz: eu vou colocar todos, porque somente assim vou quebrar o preconceito que as pessoas têm, de achar que você pode ou não pode fazer as coisas.
            É gratificante vir aqui porque a gente sai aprendendo uma lição, a lição da maturidade política do Movimento, a lição da compreensão de que só existe um jeito de, cada vez mais, a sociedade reconhecer o Movimento: é cada vez mais brigar, é cada vez mais andar de cabeça erguida, é cada vez mais brigar contra o preconceito, é cada vez mais denunciar as arbitrariedades. Somente assim a gente vai conquistar a cidadania plena e poder, todo mundo, andar de cabeça erguida nas ruas, sem ninguém querer saber o que nós somos, apenas que somos brasileiros e brasileiras e que queremos construir este País sem preconceitos.
            Eu conheço líderes importantes. Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país. Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: "no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo". Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história.
            Quero dizer a todos vocês, companheiros e companheiras: Deus ilumine vocês, e apresentem aqui a proposta que vocês entenderem seja a melhor e que possa garantir... Eu posso dizer a vocês: no que depender do apoio do governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos Ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste País.
            Eu me lembro, Paulinho... Acho que não te contei, porque isso ainda não é do seu tempo. Você sabe que uma vez eu descobri que aqui, em Brasília – o Paulinho já era ministro –, tinha o problema de uma lei que não permitia que o portador de deficiência física – sobretudo a pessoa que tinha um problema de visão – andasse no transporte com seu cão-guia, pegasse o metrô, entrasse no supermercado, entrasse na igreja. Aí eu falei: "Paulinho, nós vamos convocar uma reunião dentro do Palácio do Planalto, com os cachorros lá. Os cães vão entrar dentro do Palácio do Planalto porque, na verdade, os cães são uma extensão daquele companheiro que é portador de deficiência visual".
            Eu acho que são exemplos assim que a gente vai tendo que fazer, cada vez mais, até que um dia consiga andar na rua sem perceber ninguém olhando meio de esguelha para a gente, aquele olhar de lado, aquele olhar desconfiado.
            Então, eu acho que este dia é, realmente, histórico. Eu penso que vocês não têm ainda a dimensão do que este dia pode causar, como efeito multiplicador de quebra de preconceitos e de conquista de direitos.
            É uma pena, meus queridos deputados – quero agradecer a presença de vocês –, que mais deputados e senadores não tenham vindo. É uma pena porque, ao ver vocês, eles iriam tomar um susto, e iam fazer uma exclamação: "São iguais a mim" Quem sabe voltassem para suas atividades com menos ranço e com menos preconceito.
            Boa sorte, boa Conferência. Que Deus abençoe a todos vocês.

Vídeo e exposição Germaine Tillion  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

CONVITE
 
 
Lançamento do Video Germaine Tillion - Là oú il y a danger on vous trouve toujours e exposição em sua homenagem nesta quinta feira dia 12 de junho de 2008.
O video de 45 minutos (com legendas em português) será apresentado às 10:30 no Auditorio do CFH e a exposição será aberta às 11:30 na Galeria da Ponte (no corredor externo do depto de antropologia/UFSC).
Desejamos com estas atividades homenagear e fazer conhecer esta grande antropóloga feminista francesa que morreu em abril ultimo na vespera de completar 101 anos.