Debate: Diversidade Sexual e Políticas Públicas  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

O Núcleo Interdisciplinar de Saúde Sexual e Reprodutiva/IFF/FIOCRUZ e a Disciplina Saúde Integral da Mulher/PGSCM/IFF/FIOCRUZ convidam:

 

SESSÃO NOBRE

 

Diversidade Sexual e Políticas Públicas:

Avanços e Desafios colocados pela I Conferência Nacional de Políticas Públicas para Gays,
Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais

 

Eixos Temáticos:

Ø  "Construindo Conhecimentos e Propostas de Políticas de Saúde para a População LGBT"", com Ana Paula Lopes de Melo - Psicóloga Sanitarista Mestranda em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social/UERJ.

 

Ø  "Avanços e Desafios da I Conferência Nacional de Políticas para a População LGBT, com Claudio Nascimento Silva - Superintendente de Direitos Difusos e Coletivos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

 

DIA 26 DE JUNHO DE 2008 ÀS 11:00H

Anfiteatro A – Centro de Estudos Olinto de Oliveira

Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz

Av. Rui Barbosa, 716. Flamengo. Rio de Janeiro

Florianópolis será sede do 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

20-06-2008 14:26:38 - Florianópolis será sede do 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

Pela primeira vez o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids vai acontecer no Sul do Brasil. O encontro pretende reunir 4 mil pessoas de todo o Brasil em Florianópolis entre os dias 25 e 28 de junho. Na abertura oficial do Congresso, na manhã do dia 26, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai falar sobre "Os 20 anos do SUS e a construção da resposta brasileira à epidemia de Aids".

Entre as diversas discussões do Congresso a mesa-redonda "Vacinas e microbicidas: Momento atual e perspectivas no cenário brasileiro" é um dos destaques da programação. A discussão está marcada para o dia 26 de junho a partir das 14h30. Consulte a programação completa no
endereço http://sistemas.aids.gov.br/congressoprevencao/2008/dmdocuments/programacao_cong_prev03.pdf.

Atualmente existem 23 países que realizam pesquisas clínicas de vacinas contra a Aids envolvendo 25 mil voluntários em 46 tipos de diferentes de estudos. No Brasil, o esforço para desenvolver vacinas contra a Aids acontece desde 1992 e conta com o apoio da comunidade científica e da sociedade civil, que atualmente integram os Comitês Técnicos Assessores de Vacina Anti-HIV.

Desde 2001 sete estudos de vacinas preventivas e um estudo de vacina terapêutica para pessoas já infectadas. Todas estas pesquisas no Brasil estão em fase inicial e contam com um orçamento prévio de R$ 4,8 milhões.

Ainda dentro das pautas do Congresso, os métodos de incentivo ao aumento no número de jovens que iniciam sua vida sexual devidamente protegidos será uma outra importante temática ser debatida. Segundo dados do Ministério da Saúde extraídos da Pesquisa sobre "Comportamento Sexual e Percepções Sobre HIV/Aids", realizada em 1998 e 2005 no Brasil, os números indicam que em 1998 47,8 % dos jovens entre 16 e 19 anos usaram preservativo na primeira relação sexual. Em 2005 este índice era de 65,8%.

Outro tema na mesma ordem é o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), que será tema da mesa-redonda "O Cenário atual e perspectivas futuras", que vai acontecer dia 26 de junho às 10 horas. A idéia do projeto é reduzir a vulnerabilidade dos jovens às DSTs, ao HIV e à gravidez precoce.

O Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids acontece a cada dois anos, está na sua sétima edição e é uma promoção dos governos federal, estadual e municipal. O evento acontece no Centro de Convenções de Florianópolis, o Centro Sul. Toda a programação cientifica e cultural do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids é exclusiva para congressistas. Informações sobre inscrições podem ser obtidas no site www.aids.gov.br/congressoprev2008.

Além da programação científica que vai reunir profissionais experientes e de destaque no cenário da prevenção às DSTs no Brasil, a programação cultural irá complementar os debates. Teatro, cinema e diversas outras formas de manifestações culturais, incluindo um espaço exclusivo para a cultura da Ilha de Florianópolis, irão movimentar o evento.

Principais temas do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

- O viver com HIV/Aids hoje: necessidades das PVHA;

- SPE: Cenário atual e perspectivas futuras;

- A AIDS como doença crônica: desafios para atenção à saúde das PVHA

- Acesso ao diagnóstico precoce do HIV: compromisso de gestão;

- Vacinas e microbicidas: momento atual e perspectivas do cenário brasileiro; - -
Direitos sexuais e direitos reprodutivos na agenda da prevenção das DST/Aids;

- Ética, desenvolvimento e prevenção no cenário da globalização;

- Violência, estigma e discriminação: como enfrentar localmente;

- A cooperação sul-sul no âmbito da arquitetura global da epidemia de HIV/Aids;

- Prevenção entre HSH: trilhando novos caminhos,

- Populações indígenas e prevenção das DST/Aids: intelectualidade na integração de políticas;

- Atenção integral à saúde das pessoas privadas de liberdade: gestão e intersetorialidade;

- Características da atuação brasileira no cenário global;

- Assembléia Geral sobre HIV/AIDS das Nações Unidas – a relação com a realidade local;

- Plano operacional para redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis;

- Práticas de prevenção em serviços: transmissão vertical do HIV e da sífilis;

- Compromisso e desafios locais frente a uma epidemia global;

- Do plano à pratica: experiências de implantação dos planos para populações
específicas;

Temas de destaque no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids

Restrição da entrada de estrangeiros com HIV

Alguns países restringem a entrada de pessoas com HIV. Existem casos de restrições para viagens curtas (trabalho temporário, visitas pessoais, turismo) ou longas (asilo, emprego fixo, imigração, refúgio, estudo).

1. Realidade mundial

Atualmente, 12 países impedem totalmente a entrada de imigrantes ou turistas com a doença. São eles: Armênia, Brunei, China, Colômbia, Iraque, Coréia do Sul, Líbia, Moldávia, Catar, Arábia Saudita, Sudão e Estados Unidos. Outros 62 países não autorizam estadas longas para quem tem o vírus. A lista completa com os países e o tipo de restrição está disponível em www.eatg.org/hivtravel. Alguns países temem que, sem as restrições, pessoas infectadas pelo HIV tentariam se mudar para os países onde o acesso aos anti-retrovirais é gratuito, o que causaria problemas para os sistemas de saúde desses países.

2. Posição brasileira

O Brasil discorda da teoria de que, sem as restrições, soropositivos tentariam se mudar para países onde o acesso aos anti-retrovirais é gratuito. A prova disso é que, desde 1996, os medicamentos antiaids são distribuídos para todas as pessoas que necessitam no Sistema Único de Saúde (SUS) e não houve emigração em massa. Além disso, a aids não é uma doença que se transmite pelo ar, como a SARS. Portanto, não há motivos para que as restrições existam e a aids não pode ser tratada como apenas uma questão de segurança nacional.

3. Caso mais polêmico

O caso mais polêmico é dos Estados Unidos, onde os turistas com aids ainda precisam esconder a doença se querem entrar no país mesmo como turistas. A lei
norte-americana é do começo dos anos 90, mas até hoje não foi revista. O governo de Washington garantiu que algumas mudanças devem ser anunciadas neste ano. Uma delas seria a de que o portador do HIV poderia entrar nos Estados Unidos se provasse que sua doença estava estabilizada. Para especialistas, essa mudança não é suficiente.

4. Providências adotadas

O Brasil lidera, desde fevereiro de 2008, as negociações internacionais para tentar
acabar com as restrições de viagens para portadores do vírus da aids. O país foi escolhido em reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada em Genebra. Em setembro, serão levadas recomendações sobre o tema para a Assembléia Geral da ONU.

Fonte: Assessoria de Imprensa do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids – Juliana Pamplona/ Karyna Pereira/ Kalyta Camargo – www.alvodecomunicacao.com.br

Seminário Nacional 'Das Margens aos centros'  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Seminário Nacional 'Das Margens aos centros:
sexualidades, gêneros e direitos humanos'
 
Data: 25 a 27 de setembro de 2008
 
Local: Faculdade de Direito
Universidade Federal de Goiás – Goiânia – GO
 
Realização: Ser-Tão, Núcleo de Estudos
e Pesquisas em Gênero e Sexualidade
 
Parcerias:
Museu Antropológico / UFG
Faculdade de Artes Visuais / UFG
Programa de Direitos Humanos / UFG
Programa de Pós-Graduação em Sociologia / UFG
 
Apoio:
Secretaria Especial de Direitos Humanos
(SEDH – Presidência da República)
 
Informações e inscrições: www.sertao.ufg. br/seminario
 
Inscrições gratuitas  
 

 
CHAMADA DE TRABALHOS
 
Estão abertas as inscrições para a apresentação de trabalhos e relatos de experiências no Seminário 'Das margens aos centros: sexualidades, gêneros e direitos humanos', conforme o cronograma abaixo:
 
 
- 12/06/2008 a 02/08/2008 – prazo para envio de propostas de trabalhos e relatos de experiências a serem apresentados nos Grupos de Trabalho (formulário eletrônico disponível em www.sertao.ufg. br/seminario).
 
- 03/08/2008 a 16/08/2008 – prazo para avaliação, pelas/os coordenadoras/ es dos GT, das propostas recebidas.
 
- 19/08/2008 – divulgação dos trabalhos aceitos na página do evento.
 
- 24 de setembro – prazo final para inscrição no Seminário SEM apresentação de trabalho.
 
As/Os expositoras/ es podem ser pesquisadoras/ es, professoras/ es, estudantes de graduação e pós-graduação, integrantes de movimentos sociais ou agentes públicos.
 
Será aceito somente um trabalho por expositor/a, incluindo relatos de experiências. Os trabalhos podem ser propostos por uma/um autor/a e no máximo duas/dois co-autoras/es.
 
As/Os interessadas/ os devem encaminhar resumos expandidos de suas propostas para um dos Grupos de Trabalho, por meio da ficha de inscrição disponível em www.sertao.ufg. br/seminario.
 
No arquivo anexado encontra-se a programação geral do Seminário.
 
Por gentileza, encaminhe esta mensagem para sua lista de contatos.
 
Comissão Organizadora - Ser-Tão

Professora ganha prêmio nacional  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

fonte: http://www.sed.sc.gov.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=414&Itemid=57

Professora ganha prêmio nacional

Por Gabriela Wolff   
11 de junho de 2008
A professora Giuvana Wenk dos Santos, da EBB Dom Pio de Freitas, de Joinville é uma das vencedoras do 2º Prêmio Luís Eduardo Magalhães - Todos pela Educação. Com o tema "Modificando a Escola através da Educação Ambiental - Construindo a Agenda 21 Escolar", a educadora recebeu na última sexta-feira (06), em Salvador o prêmio de R$ 15 mil e um diploma de reconhecimento pelo mérito.

Giuvana criou seu projeto após observar que os alunos não estavam utilizando adequadamente o ambiente escolar. "Envolvemos toda a comunidade, e começamos a executar ações como a revitalização do jardim, da horta, criamos o quiosque da leitura. Os alunos realizaram todo o projeto, desde a pesquisa até a conclusão, então passaram a valorizar e cuidar mais da escola", ressalta. Segundo a educadora, todos os professores se envolveram, por se tratar de um tema interdisciplinar.

Com 13 anos de experiência lecionando Língua Portuguesa, Giuvana vê o prêmio como um incentivo para todos os educadores criarem novas práticas pedagógicas que melhorem o ensino público no Brasil. "Somente seis trabalhos foram premiados no país inteiro, então ter o nosso escolhido é motivo de muito orgulho para a escola", observa. A diretora Iria Éclair Stoeberl da Silva e a responsável por projetos na EBB Dom Pio de Freitas, Profª. Mary Elizabeth de Mello Paino assessoraram a professora Giuvana durante todo o processo.

O Prêmio Luís Eduardo Magalhães foi criado em 2006, com o objetivo de incentivar a qualidade do ensino público no Brasil, reconhecendo e valorizando os trabalhos desenvolvidos por docentes da rede pública. Nesta edição foram premiados três projetos municipais e três estaduais.


Discurso de Lula na I Conferência Nacional GLBT  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de abertura da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - GLBT
Centro de Convenções – Brasília-DF, 05 de junho de 2008
 
            Meu caro companheiro Paulo Vannuchi, secretário especial dos Direitos Humanos,
            Meu caro companheiro José Gomes Temporão, ministro da Saúde,
            Meu caro Carlos Eduardo Gabas, ministro interino da Previdência Social,
            Meu querido companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
            Meu querido companheiro José Antonio Toffoli, advogado-geral da União,
            Meu querido companheiro Elói Ferreira de Araújo, ministro-chefe interino da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial,
            Nossa querida companheira Nilcéa Freire, secretária especial de Política para as Mulheres,
            Minha companheira Marisa,
            Minha querida companheira Cida Diogo, presidente da Frente Parlamentar da Cidadania GLBT, em nome de quem cumprimento todos os companheiros parlamentares aqui presentes,
            Meu querido companheiro Tony Reis, Fernanda Benvenuti e Negra Cris, por meio de quem quero cumprimentar todas as delegadas e delegados presentes a esta I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais,
            Companheiros convidados,
            Meu querido companheiro Sérgio Mamberti,
            Minha querida companheira Arlete,
            Meus queridos companheiros representantes de delegações estrangeiras aqui presentes – eu sei que são 14 países participando desta I Conferência,
            Companheiros e companheiras da imprensa,
            Meus amigos,
            Minhas amigas,
            Companheiros e companheiras,
 
            Primeiro, Paulinho, eu queria te agradecer por este momento. O Paulinho, no ano passado, me procurou para dizer que, de todas as conferências, de tantas que nós já fizemos... Já foram 49 conferências nacionais que nós fizemos. Certamente já envolvemos, ao todo, mais de 3 milhões e meio de brasileiros e brasileiras, de todo o território nacional. Neste ano que se inicia, nós estamos fazendo a I Conferência, e o Paulinho falou: "Lula, é importante" – ele não me chama de Lula, me chama de Presidente, apesar dos 40 anos de amizade –, "nós precisamos fazer essa Conferência. E eu queria saber se o Presidente a convocará por decreto". Eu disse: "Paulinho, prepara o decreto, que nós a convocaremos por decreto".
            E por que eu comecei elogiando o Paulinho? Paulinho, eu penso que o Temporão disse uma coisa aqui que, se alguém não gravou, é importante gravar, porque eu acho que o seu discurso é antológico. Quem faz muito discurso, tem dia que acerta, tem dia que não acerta.
            Você que grava novela, Serginho, não é assim? Tem dia que você vai lá, grava um texto em 30 segundos e vai embora; e tem dia que aquele texto de 30 segundos leva 3 horas para gravar. Eu me lembro de que uma vez nós ficamos com o Suplicy das 9 da noite às 3 da manhã para gravar um texto, acho que de 35 segundos.
            Bem, meus companheiros, eu quero agradecer a vocês por estar vivendo este dia. Não é fácil para um presidente da República, nem aqui no Brasil e nem em outro país do mundo, participar de eventos que envolvam um segmento tão grande, tão heterogêneo e tão motivo de preconceitos com vocês. Não é fácil.
            Então, quando o Tony Reis fala que nunca antes na história do Planeta um presidente convocou uma conferência como esta, eu fico orgulhoso porque nós estamos vivendo no Brasil um momento de reparação.
            Eu tenho dito, Paulinho, quando vou inaugurar obras do PAC nas favelas, que o que nós estamos fazendo é uma reparação de governantes irresponsáveis que, durante 50 ou 60 anos, deixaram os pobres se amontoarem em lugares que não deveriam se amontoar. Na verdade, se quando aparecessem os primeiros grupos de pobres, o prefeito e os vereadores fossem lá e cuidassem deles, os colocassem num lugar mais adequado, não permitiriam que virassem cidades, não permitiriam a quantidade de gente morando de forma degradante neste País. Houve momentos de irresponsabilidade. Então, eu tenho dito que nós estamos fazendo um processo de reparação. E o Brasil precisa de um processo de reparação.
            Quando eu recebi, no Palácio do Planalto, os nossos queridos companheiros e companheiras catadores de papel, o companheiro lá de São Paulo fez um discurso, e dizia: "Presidente, se a gente não conquistar mais nada na vida, só o fato de a gente estar colocando o pé dentro do Palácio do Planalto, já terá valido a pena, porque nós nunca imaginamos passar nem perto do Palácio do Planalto".
            Eu participei com a companheira Nilcéa, no Rio de Janeiro, há dois anos, acho que foi do Dia do Combate à Aids, se não me falha a memória, e eu dizia para a Nilcéa: nós precisamos criar no Brasil o Dia do Combate à Hipocrisia. Eu sei que isso fere pessoas, deixa outras angustiadas, mas o dado concreto é que, se eu não conseguir criar, alguém vai criar, Nilcéa. Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, Tony, tudo ajuda, mas é um processo cultural. É um processo que passa por uma revolução cultural de as pessoas irem compreendendo que precisamos nos gostar do jeito que somos, que não precisamos querer que ninguém seja igual. Mesmo nesta platéia, é bem possível que tenha diferenças, que tenha preconceitos, uns achando "eu posso isso, mas aquele não pode aquilo". Se nós não arejarmos a cabeça, a despoluirmos de preconceitos, não cumpriremos o que o Paulinho pediu aqui, que é a unidade em torno das coisas votadas no Congresso Nacional.
            Eu vou dizer a vocês o mesmo o que eu disse no encontro que nós fizemos da Conferência da Igualdade Racial. Nós temos um grande projeto para fazer o Estatuto da Igualdade Racial dentro do Congresso Nacional. Eu fui muito claro aos companheiros delegados: se vocês não se colocarem de acordo, por mínimo que seja, alguém terá que abrir mão de alguma coisa para construir o consenso para o Congresso Nacional votar. Se vocês estiverem divididos dentro do Congresso, não haverá Estatuto da Igualdade Racial nem hoje e nem nunca.
            Vocês vão ter três dias de Conferência e, livremente, irão discutir, discursar, escrever, retratar e apresentar uma proposta para o governo. Posso dizer a vocês: o tratamento que vocês terão, com o documento que apresentarem, será igual ao tratamento que nós demos às 49 conferências que aconteceram antes da de vocês. Se não for assim, nós estaremos fazendo apenas uma meia democracia, aquela democracia que pode aparecer na hora que eu quero, quando eu preciso, mas que não é plena, não paira 24 horas em cima das nossas cabeças, em cima da cabeça daqueles que, por preconceito, não querem entender o jeito de ser de cada um.
            Obviamente que nós também seremos honestos, como fomos honestos com as outras conferências. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer com o mesmo companheirismo: companheiros, isso aqui não dá, isso aqui não passa, isso aqui não vai. Se não estabelecermos essa relação companheira entre nós, terminaremos a Conferência e voltaremos a ter as desconfianças que tínhamos antes de entrar aqui.
            Eu disse que agradecia o fato de estar aqui hoje, porque uma vez eu disse que todo político é cheio de certezas, todo político é cheio de convicções muito precisas. As pessoas se assustavam quando eu dizia: "Olha, eu sou a metamorfose ambulante". Na minha vida, eu penso que tenho tudo definido. No dia seguinte eu aprendo que tem uma coisa que ainda não estou definido, e que eu preciso me definir; que tem uma coisa que eu era contra, agora sou a favor; que tem uma coisa que eu não concordava, agora eu concordo. É esse o jeito de governar uma família que tem 190 milhões de filhos. Não é filho único, não temos apenas uma religião, não temos apenas uma opção sexual. Disseram bem, todos os que falaram aqui, do Paulinho ao companheiro Temporão: ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo? É mais fácil falar do que transformar as palavras em coisas concretas, porque aí é preciso medir a correlação de forças na sociedade. Mas uma coisa sagrada vocês fizeram: conseguiram quebrar a casca do ovo, conseguiram gritar para o Brasil que vocês existem e que não querem nada a mais, nem nada a menos do que ninguém. Vocês querem ser brasileiros, trabalhar e viver respeitados, como todos querem ser respeitados no mundo.
            Por isso eu quero dizer a vocês que, quando nós assinamos o Decreto, as pessoas começaram: "Mas você vai, Presidente?" Você sabe o que eu senti quando coloquei o boné na cabeça, Tony? O mesmo preconceito que tinha contra mim quando, pela primeira vez, eu coloquei o boné do Movimento dos Sem-Terra na minha cabeça. Eu nunca apanhei tanto. Eu era recém-presidente da República, recém-empossado, e coloquei o chapéu dos Sem-Terra na cabeça. Eu apanhei acho que mais de um mês na imprensa. Eu poderia colocar chapéu do Banco do Brasil, do Banco Real, do Bradesco, da Vale do Rio Doce, da Petrobras, do Corinthians, do Flamengo, do Vasco, eu poderia falar qualquer... Agora, eu não poderia colocar dos Sem-Terra, e me veio uma luz: eu vou colocar todos, porque somente assim vou quebrar o preconceito que as pessoas têm, de achar que você pode ou não pode fazer as coisas.
            É gratificante vir aqui porque a gente sai aprendendo uma lição, a lição da maturidade política do Movimento, a lição da compreensão de que só existe um jeito de, cada vez mais, a sociedade reconhecer o Movimento: é cada vez mais brigar, é cada vez mais andar de cabeça erguida, é cada vez mais brigar contra o preconceito, é cada vez mais denunciar as arbitrariedades. Somente assim a gente vai conquistar a cidadania plena e poder, todo mundo, andar de cabeça erguida nas ruas, sem ninguém querer saber o que nós somos, apenas que somos brasileiros e brasileiras e que queremos construir este País sem preconceitos.
            Eu conheço líderes importantes. Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país. Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: "no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo". Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história.
            Quero dizer a todos vocês, companheiros e companheiras: Deus ilumine vocês, e apresentem aqui a proposta que vocês entenderem seja a melhor e que possa garantir... Eu posso dizer a vocês: no que depender do apoio do governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos Ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste País.
            Eu me lembro, Paulinho... Acho que não te contei, porque isso ainda não é do seu tempo. Você sabe que uma vez eu descobri que aqui, em Brasília – o Paulinho já era ministro –, tinha o problema de uma lei que não permitia que o portador de deficiência física – sobretudo a pessoa que tinha um problema de visão – andasse no transporte com seu cão-guia, pegasse o metrô, entrasse no supermercado, entrasse na igreja. Aí eu falei: "Paulinho, nós vamos convocar uma reunião dentro do Palácio do Planalto, com os cachorros lá. Os cães vão entrar dentro do Palácio do Planalto porque, na verdade, os cães são uma extensão daquele companheiro que é portador de deficiência visual".
            Eu acho que são exemplos assim que a gente vai tendo que fazer, cada vez mais, até que um dia consiga andar na rua sem perceber ninguém olhando meio de esguelha para a gente, aquele olhar de lado, aquele olhar desconfiado.
            Então, eu acho que este dia é, realmente, histórico. Eu penso que vocês não têm ainda a dimensão do que este dia pode causar, como efeito multiplicador de quebra de preconceitos e de conquista de direitos.
            É uma pena, meus queridos deputados – quero agradecer a presença de vocês –, que mais deputados e senadores não tenham vindo. É uma pena porque, ao ver vocês, eles iriam tomar um susto, e iam fazer uma exclamação: "São iguais a mim" Quem sabe voltassem para suas atividades com menos ranço e com menos preconceito.
            Boa sorte, boa Conferência. Que Deus abençoe a todos vocês.
Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de abertura da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - GLBT
Centro de Convenções – Brasília-DF, 05 de junho de 2008
 
            Meu caro companheiro Paulo Vannuchi, secretário especial dos Direitos Humanos,
            Meu caro companheiro José Gomes Temporão, ministro da Saúde,
            Meu caro Carlos Eduardo Gabas, ministro interino da Previdência Social,
            Meu querido companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
            Meu querido companheiro José Antonio Toffoli, advogado-geral da União,
            Meu querido companheiro Elói Ferreira de Araújo, ministro-chefe interino da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial,
            Nossa querida companheira Nilcéa Freire, secretária especial de Política para as Mulheres,
            Minha companheira Marisa,
            Minha querida companheira Cida Diogo, presidente da Frente Parlamentar da Cidadania GLBT, em nome de quem cumprimento todos os companheiros parlamentares aqui presentes,
            Meu querido companheiro Tony Reis, Fernanda Benvenuti e Negra Cris, por meio de quem quero cumprimentar todas as delegadas e delegados presentes a esta I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais,
            Companheiros convidados,
            Meu querido companheiro Sérgio Mamberti,
            Minha querida companheira Arlete,
            Meus queridos companheiros representantes de delegações estrangeiras aqui presentes – eu sei que são 14 países participando desta I Conferência,
            Companheiros e companheiras da imprensa,
            Meus amigos,
            Minhas amigas,
            Companheiros e companheiras,
 
            Primeiro, Paulinho, eu queria te agradecer por este momento. O Paulinho, no ano passado, me procurou para dizer que, de todas as conferências, de tantas que nós já fizemos... Já foram 49 conferências nacionais que nós fizemos. Certamente já envolvemos, ao todo, mais de 3 milhões e meio de brasileiros e brasileiras, de todo o território nacional. Neste ano que se inicia, nós estamos fazendo a I Conferência, e o Paulinho falou: "Lula, é importante" – ele não me chama de Lula, me chama de Presidente, apesar dos 40 anos de amizade –, "nós precisamos fazer essa Conferência. E eu queria saber se o Presidente a convocará por decreto". Eu disse: "Paulinho, prepara o decreto, que nós a convocaremos por decreto".
            E por que eu comecei elogiando o Paulinho? Paulinho, eu penso que o Temporão disse uma coisa aqui que, se alguém não gravou, é importante gravar, porque eu acho que o seu discurso é antológico. Quem faz muito discurso, tem dia que acerta, tem dia que não acerta.
            Você que grava novela, Serginho, não é assim? Tem dia que você vai lá, grava um texto em 30 segundos e vai embora; e tem dia que aquele texto de 30 segundos leva 3 horas para gravar. Eu me lembro de que uma vez nós ficamos com o Suplicy das 9 da noite às 3 da manhã para gravar um texto, acho que de 35 segundos.
            Bem, meus companheiros, eu quero agradecer a vocês por estar vivendo este dia. Não é fácil para um presidente da República, nem aqui no Brasil e nem em outro país do mundo, participar de eventos que envolvam um segmento tão grande, tão heterogêneo e tão motivo de preconceitos com vocês. Não é fácil.
            Então, quando o Tony Reis fala que nunca antes na história do Planeta um presidente convocou uma conferência como esta, eu fico orgulhoso porque nós estamos vivendo no Brasil um momento de reparação.
            Eu tenho dito, Paulinho, quando vou inaugurar obras do PAC nas favelas, que o que nós estamos fazendo é uma reparação de governantes irresponsáveis que, durante 50 ou 60 anos, deixaram os pobres se amontoarem em lugares que não deveriam se amontoar. Na verdade, se quando aparecessem os primeiros grupos de pobres, o prefeito e os vereadores fossem lá e cuidassem deles, os colocassem num lugar mais adequado, não permitiriam que virassem cidades, não permitiriam a quantidade de gente morando de forma degradante neste País. Houve momentos de irresponsabilidade. Então, eu tenho dito que nós estamos fazendo um processo de reparação. E o Brasil precisa de um processo de reparação.
            Quando eu recebi, no Palácio do Planalto, os nossos queridos companheiros e companheiras catadores de papel, o companheiro lá de São Paulo fez um discurso, e dizia: "Presidente, se a gente não conquistar mais nada na vida, só o fato de a gente estar colocando o pé dentro do Palácio do Planalto, já terá valido a pena, porque nós nunca imaginamos passar nem perto do Palácio do Planalto".
            Eu participei com a companheira Nilcéa, no Rio de Janeiro, há dois anos, acho que foi do Dia do Combate à Aids, se não me falha a memória, e eu dizia para a Nilcéa: nós precisamos criar no Brasil o Dia do Combate à Hipocrisia. Eu sei que isso fere pessoas, deixa outras angustiadas, mas o dado concreto é que, se eu não conseguir criar, alguém vai criar, Nilcéa. Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, Tony, tudo ajuda, mas é um processo cultural. É um processo que passa por uma revolução cultural de as pessoas irem compreendendo que precisamos nos gostar do jeito que somos, que não precisamos querer que ninguém seja igual. Mesmo nesta platéia, é bem possível que tenha diferenças, que tenha preconceitos, uns achando "eu posso isso, mas aquele não pode aquilo". Se nós não arejarmos a cabeça, a despoluirmos de preconceitos, não cumpriremos o que o Paulinho pediu aqui, que é a unidade em torno das coisas votadas no Congresso Nacional.
            Eu vou dizer a vocês o mesmo o que eu disse no encontro que nós fizemos da Conferência da Igualdade Racial. Nós temos um grande projeto para fazer o Estatuto da Igualdade Racial dentro do Congresso Nacional. Eu fui muito claro aos companheiros delegados: se vocês não se colocarem de acordo, por mínimo que seja, alguém terá que abrir mão de alguma coisa para construir o consenso para o Congresso Nacional votar. Se vocês estiverem divididos dentro do Congresso, não haverá Estatuto da Igualdade Racial nem hoje e nem nunca.
            Vocês vão ter três dias de Conferência e, livremente, irão discutir, discursar, escrever, retratar e apresentar uma proposta para o governo. Posso dizer a vocês: o tratamento que vocês terão, com o documento que apresentarem, será igual ao tratamento que nós demos às 49 conferências que aconteceram antes da de vocês. Se não for assim, nós estaremos fazendo apenas uma meia democracia, aquela democracia que pode aparecer na hora que eu quero, quando eu preciso, mas que não é plena, não paira 24 horas em cima das nossas cabeças, em cima da cabeça daqueles que, por preconceito, não querem entender o jeito de ser de cada um.
            Obviamente que nós também seremos honestos, como fomos honestos com as outras conferências. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer com o mesmo companheirismo: companheiros, isso aqui não dá, isso aqui não passa, isso aqui não vai. Se não estabelecermos essa relação companheira entre nós, terminaremos a Conferência e voltaremos a ter as desconfianças que tínhamos antes de entrar aqui.
            Eu disse que agradecia o fato de estar aqui hoje, porque uma vez eu disse que todo político é cheio de certezas, todo político é cheio de convicções muito precisas. As pessoas se assustavam quando eu dizia: "Olha, eu sou a metamorfose ambulante". Na minha vida, eu penso que tenho tudo definido. No dia seguinte eu aprendo que tem uma coisa que ainda não estou definido, e que eu preciso me definir; que tem uma coisa que eu era contra, agora sou a favor; que tem uma coisa que eu não concordava, agora eu concordo. É esse o jeito de governar uma família que tem 190 milhões de filhos. Não é filho único, não temos apenas uma religião, não temos apenas uma opção sexual. Disseram bem, todos os que falaram aqui, do Paulinho ao companheiro Temporão: ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo? É mais fácil falar do que transformar as palavras em coisas concretas, porque aí é preciso medir a correlação de forças na sociedade. Mas uma coisa sagrada vocês fizeram: conseguiram quebrar a casca do ovo, conseguiram gritar para o Brasil que vocês existem e que não querem nada a mais, nem nada a menos do que ninguém. Vocês querem ser brasileiros, trabalhar e viver respeitados, como todos querem ser respeitados no mundo.
            Por isso eu quero dizer a vocês que, quando nós assinamos o Decreto, as pessoas começaram: "Mas você vai, Presidente?" Você sabe o que eu senti quando coloquei o boné na cabeça, Tony? O mesmo preconceito que tinha contra mim quando, pela primeira vez, eu coloquei o boné do Movimento dos Sem-Terra na minha cabeça. Eu nunca apanhei tanto. Eu era recém-presidente da República, recém-empossado, e coloquei o chapéu dos Sem-Terra na cabeça. Eu apanhei acho que mais de um mês na imprensa. Eu poderia colocar chapéu do Banco do Brasil, do Banco Real, do Bradesco, da Vale do Rio Doce, da Petrobras, do Corinthians, do Flamengo, do Vasco, eu poderia falar qualquer... Agora, eu não poderia colocar dos Sem-Terra, e me veio uma luz: eu vou colocar todos, porque somente assim vou quebrar o preconceito que as pessoas têm, de achar que você pode ou não pode fazer as coisas.
            É gratificante vir aqui porque a gente sai aprendendo uma lição, a lição da maturidade política do Movimento, a lição da compreensão de que só existe um jeito de, cada vez mais, a sociedade reconhecer o Movimento: é cada vez mais brigar, é cada vez mais andar de cabeça erguida, é cada vez mais brigar contra o preconceito, é cada vez mais denunciar as arbitrariedades. Somente assim a gente vai conquistar a cidadania plena e poder, todo mundo, andar de cabeça erguida nas ruas, sem ninguém querer saber o que nós somos, apenas que somos brasileiros e brasileiras e que queremos construir este País sem preconceitos.
            Eu conheço líderes importantes. Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país. Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: "no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo". Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história.
            Quero dizer a todos vocês, companheiros e companheiras: Deus ilumine vocês, e apresentem aqui a proposta que vocês entenderem seja a melhor e que possa garantir... Eu posso dizer a vocês: no que depender do apoio do governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos Ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste País.
            Eu me lembro, Paulinho... Acho que não te contei, porque isso ainda não é do seu tempo. Você sabe que uma vez eu descobri que aqui, em Brasília – o Paulinho já era ministro –, tinha o problema de uma lei que não permitia que o portador de deficiência física – sobretudo a pessoa que tinha um problema de visão – andasse no transporte com seu cão-guia, pegasse o metrô, entrasse no supermercado, entrasse na igreja. Aí eu falei: "Paulinho, nós vamos convocar uma reunião dentro do Palácio do Planalto, com os cachorros lá. Os cães vão entrar dentro do Palácio do Planalto porque, na verdade, os cães são uma extensão daquele companheiro que é portador de deficiência visual".
            Eu acho que são exemplos assim que a gente vai tendo que fazer, cada vez mais, até que um dia consiga andar na rua sem perceber ninguém olhando meio de esguelha para a gente, aquele olhar de lado, aquele olhar desconfiado.
            Então, eu acho que este dia é, realmente, histórico. Eu penso que vocês não têm ainda a dimensão do que este dia pode causar, como efeito multiplicador de quebra de preconceitos e de conquista de direitos.
            É uma pena, meus queridos deputados – quero agradecer a presença de vocês –, que mais deputados e senadores não tenham vindo. É uma pena porque, ao ver vocês, eles iriam tomar um susto, e iam fazer uma exclamação: "São iguais a mim" Quem sabe voltassem para suas atividades com menos ranço e com menos preconceito.
            Boa sorte, boa Conferência. Que Deus abençoe a todos vocês.

Vídeo e exposição Germaine Tillion  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

CONVITE
 
 
Lançamento do Video Germaine Tillion - Là oú il y a danger on vous trouve toujours e exposição em sua homenagem nesta quinta feira dia 12 de junho de 2008.
O video de 45 minutos (com legendas em português) será apresentado às 10:30 no Auditorio do CFH e a exposição será aberta às 11:30 na Galeria da Ponte (no corredor externo do depto de antropologia/UFSC).
Desejamos com estas atividades homenagear e fazer conhecer esta grande antropóloga feminista francesa que morreu em abril ultimo na vespera de completar 101 anos.

USO DE ANIMAIS NA UNIVERSIDADE (ENSINO, PESQUISA...)  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

DEBATE:


USO DE ANIMAIS NA UNIVERSIDADE (ENSINO, PESQUISA...)


ONDE? AUDITÓRIO DA REITORIA DA UFSC.
QUANDO? 11/06 (QUARTA-FEIRA)
QUE HORAS? 18:30


AUTORIDADES À MESA:


CARLOS R. TONUSSI (FARMACOLOGIA - UFSC)
MARTA A. PASCHOALINI (DEPARTAMENTO DE FISIOLOGIA - UFSC)

THALES TRÉZ (BIOLOGIA - UFMG)

SONIA FELIPE (FILOSOFIA - UFSC)


VENHA CONHECER, ACRESCENTAR, CRITICAR, DEBATER... COM OS POSICIONAMENTOS CONTRÁRIOS E FAVORÁVEIS DESTA PRÁTICA.

 

Organização: DCE: Gestão: "EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA"

Sargentos do Exército assumem homossexualidade em capa de revista  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

 Sargentos do Exército assumem homossexualidade em capa de revista 
    Por Redação 3/6/2008 - 14:41


 
 

É como bem disse a blogueira Lindinalva. "As forças armadas emboiolaram de vez, ficaram com inveja do futebol..." Numa atitude inédita, dois militares da ativa do Exército Brasileiro resolveram se assumir na capa de uma das mais importantes revistas do país, a Época. Não apenas suas orientações sexuais, os dois assumiram também o relacionamento estável que mantém há dez anos.

Reportagem de capa, a revista Época desta semana conta a história de Fernando Alcântara de Figueiredo e Laci Marinho de Araújo, respectivamente os sargentos Alcântara e De Araújo. Ambos se conheceram em Brasília, em dezembro de 1995, no Batallhão da Guarda Presidencial, unidade do exército conhecida por ter uma das rotinas mais severas.

Após quase dois anos de amizade, a dupla resolveu sair do alojamento militar para morar juntos numa república e mais tarde dividir o mesmo apartamento. Em entrevista a revista, eles assumiram viver uma relação amorosa desde 1997, quando se mudaram do alojamento do batalhão.

Laci, de 36 anos, declarou "Nós somos um casal e mantemos uma relação estável há mais de dez anos. Até no cartão de crédito nós temos o outro como dependente". Fernando, de 34, explica que "é tudo como um casal normal."

Na reportagem, o casal revela que o Exército pode ser atraente para os homossexuais. Laci comenta por exemplo que "para um gay as Forças Armadas são um paraíso". "Existe coisa melhor para um homossexual do que tomar banho com um monte de homem pelado e sarado?", questiona. Fernando complementa "Há muito mais homossexual no Exército do que se imagina. O problema é que muitos são enrustidos. Eu mesmo já fui assediado várias vezes, até por um general."

Em vídeo, que pode ser conferido no final desta matéria, Laci revela ainda que "existe sim uma quantidade muito grande de homossexuais 'incubados'. E a mensagem que eu tenho pra dizer a população brasileira é que se é pecado ser gay no exército brasileiro então eles podem fechar as portas porque praticamente todos estarão condenados."

De Araújo, ou Laci, além da carreira militar também brilha nos palcos. É vocalista da banda Terceira Visão e se apresenta como cover de Cássia Eller. Nas apresentações assume a identidade de "Eron Anderson". Seu marido, Fernando, é uma "espécie de empresário" de sua carreira artística.

A dupla protagoniza um entrave controverso com o Exército, que inclui processos judiciais. Em 2007, Laci passou seis meses fora do trabalho alegando problemas de saúde. A justiça militar mandou prendê-lo. Hoje, ele é considerado desertor. Ao final do processo, poderá ser expulso. O casal alega que está na mira do exército por denúncias de corrupção no hospital militar e que o fato de serem gays teria contruibudo para que fossem desacreditados.

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Exposição sobre animais gays faz sucesso em Oslo  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Fonte:  http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/10/061020_animalgay_is.shtml

 
Imagem: Per Aas/NHM-Oslo
Muitos pengüins formam casais do mesmo sexo
Uma exposição sobre o homossexualismo entre animais no Museu de História Natural de Oslo, na Noruega, está sendo bem recebida pelo público, apesar de ter sofrido críticas inicialmente.

Os curadores chegaram a ouvir de opositores à iniciativa que eles "iriam queimar no inferno", mas desde a inauguração da exposição "Contra a Natureza?", na semana passada, eles têm visto um interesse crescente pelo aspecto sexual do mundo animal.

Segundo os organizadores, o comportamento homossexual já foi observado em mais de 1,5 mil espécies e é bem documentado em 500 delas.

A mostra reúne fotografias como a de duas girafas macho tendo relações sexuais, a de macacos estimulando outros do mesmo sexo e a de duas baleias macho excitadas roçando os pênis.

"A homossexualidade é um fenômeno comum e freqüente no mundo animal. Não apenas relações sexuais breves, mas parcerias duradouras, que podem continuar pela vida inteira", diz um dos textos da exibição.

Os curadores dizem que esta é a primeira vez que o assunto, que já foi tabu no passado, é tema de exposição e defendem que o sexo no mundo animal, como entre os humanos, é fonte de prazer e não apenas uma forma de procriação.

Isso se aplicaria tanto a relações heterossexuais como a relações entre animais do mesmo sexo.

Espécies bissexuais

Enquanto a homossexualidade parece contradizer as necessidades evolutivas das espécies, os cientistas envolvidos na exibição em Oslo dizem que a prática não causa qualquer problema e pode até ser útil em algumas circunstâncias.

Em algumas espécies de aves, como os flamingos, é comum que dois machos protejam ovos "doados" por uma fêmea. Como eles são mais eficientes na tarefa do que um casal, mais filhotes acabam sobrevivendo.

Flamingo
Flamingos macho criam filhotes juntos

Segundo os organizadores da exposição, um em dez pares de pengüins são do mesmo sexo, enquanto outras espécies poderiam ser consideradas bissexuais como um todo. Um exemplo seriam os chimpanzés Bonobo.

Entre os comentários hostis à exposição estão acusações de que a "propaganda ideológica teria invadido o mundo científico".

Um dos zoologistas que organizaram a exibição, Petter Bockman, admitiu que havia uma "motivação política".

Na Noruega, é comum que os museus públicos tratem de assuntos controversos.

O Museu de História Natural de Oslo diz que um de seus objetivos com a exposição é "ajudar a desmistificar a homossexualidade" e "rejeitar o conhecido argumento de que o comportamento homossexual é um crime que vai contra a natureza".

1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais
nº 02   -   28 / 05 / 2008

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Debate sobre cidadania GLBT mobiliza sociedade civil e governo em todos os estados brasileiros

Conferência Nacional, acontece entre os dias 5 a 8 de junho, no Centro de Eventos Brasil 21, em Brasília, terá a participação de 600 delegados representantes da sociedade civil e do poder público

BRASÍLIA  – A primeira etapa da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT) foi encerrada. Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal realizaram debates envolvendo a sociedade civil organizada e o governo, mais de três mil pessoas participaram desse processo.

A Conferência Nacional, acontecerá entre os dias  5 a 8 de junho, no Centro de Eventos Brasil 21, em Brasília. O evento terá a participação de 600 delegados representantes da sociedade civil e do poder público, definidos nas conferências estaduais, além de observadores e convidados. A expectativa é de mil participantes.

Essa ampla mobilização nacional tem o objetivo de discutir políticas públicas para a população GLBT, com a elaboração do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos GLBT, ao mesmo tempo em que pretende avaliar e propor estratégias para fortalecer o Brasil sem Homofobia – Programa de combate à violência e à discriminação contra a população GLBT e de promoção da cidadania homossexual.

Para nortear o processo dessas conferências, foi construído o Texto Base, elaborado com a participação de representantes da sociedade civil organizada GLBT, das Secretarias Especiais de Direitos Humanos, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de Políticas para as Mulheres (SPM) e dos Ministérios da Saúde, Educação, Justiça, Cultura, Trabalho e Emprego, Previdência Social, Turismo, Cidades, Comunicações, Esportes e Ministério Público Federal. Esse trabalho foi coordenado pela Comissão Organizadora criada em dezembro de 2007, da SEDH, com a função de coordenar, promover e monitorar a realização da Conferência Nacional.

Para Perly Cipriano, subsecretário da SEDH/PR os encontros estaduais permitiram abrir debate e criar uma articulação entre a gestão pública e a sociedade civil. "O resultado desse amplo debate será a elaboração de políticas públicas e do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT. Todo o trabalho da SEDH/PR é voltado para que não aja mais nenhum tipo de discriminação, seja ela qual for a origem", explica Cipriano.

Além da sociedade civil organizada e dos órgãos governamentais, a comissão organizadora conta ainda com a participação da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT.

Essa chamada, no ano que se comemora o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reafirma o compromisso do governo em tratar a questão dos direitos humanos como uma política de Estado.

Programação eclética mistura debate político, contextualização histórica e cultura

Programação cultural, montada a partir de sugestões do movimento social, será organizada pelo Ministério da Cultura

BRASÍLIA  – Cerca de mil pessoas estarão reunidas em Brasília para discutir Direitos Humanos e Políticas Públicas: o caminho para garantir a cidadania de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. O encontro acontecerá entre 5 a 8 de junho na Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT).

As discussões abordarão 16 subtemas, distribuídos em dez grupos de trabalho definidos pelo Texta-Base. Além de Direitos Humanos, os temas incluem Saúde; Educação; Justiça e Segurança Pública; Cultura e Turismo; Trabalho, Emprego e Previdência Social; Cidades Comunicação e Esportes; Igualdade Racial e Mulheres. Os temas transversais envolvem idosos; pessoas com deficiência física; infância, adolescência e juventude.

O resultado desses grupos de trabalho será a elaboração do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT. A Conferência também abordará a contextualização e perspectivas da conjuntura internacional, do Poder Legislativo, Poder Judiciário e do Ministério Público e ainda uma palestra sobre a introdução à orientação sexual e identidade de gênero.. Esses painéis acontecem no primeiro dia do evento como atividades paralelas.

A programação cultural, montada a partir de sugestões do movimento social, será organizada pelo Ministério da Cultura que preparou mostras de filmes, exposições fotográficas, oficinas áudio visuais, teatro, dança e shows. Confira a programação aqui

Observadores deverão se cadastrar nas comissões organizadoras nos estados

Quantidade de observadores deverá ser limitada a 300 pessoas

As conferências estaduais elegeram 600 delegados, destes 60% são do movimento social organizado e 40% do poder público. Além dos delegados a Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNGLBT) contará com convidados e observadores. Devido a grande procura pelo evento, a quantidade de observadores foi limitada a 300 pessoas e foram definidos pelas comissões organizadoras estaduais, que podem ser procuradas caso alguém necessite de alguma informação.

Cadastramento de jornalistas para a cobertura do evento deve ser feito com antecedência

 

Os jornalistas que pretendem cobrir a Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais devem se cadastrar no site da conferência. Será preciso informar o nome, endereço, veículo, telefone e o número de registro ou matrícula sindical.

Entrevista: Angela Moysés da ONG Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais

 O grupo, que  tinha 4 mães em 1999, passou a ser virtual e hoje conta com mais de 200 associados no Brasil

Quando a professora universitária de São Paulo, Edith Modesto descobriu, em 1992 que seu filho era gay ficou desnorteada e procurou informações sobre o assunto e outras mães de homossexuais para conversar. A conversa rendeu e ela acabou criando, em 1997, o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH). O grupo, que inicialmente tinha quatro mães em 1999, passou a ser virtual e hoje conta com mais de 200 associados em todo o Brasil. Há dois anos virou uma Organização Não Governamental – Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais. DH em Pauta Especial conversou com Angela Moysés, co-adminsitradora da ONG e mãe facilitadora. Leia mais


Para mais informações acesse o site: www.sedh.gov.br


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