Sérgio Cabral assina Carta Compromisso Por um Rio Sem Homofobia  

Postado por Felipe Bruno Martins Fernandes

Nota do Grupo Arco -Iris, em 10.10.2006

 
 
Sérgio Cabral assina Carta Compromisso Por um Rio Sem Homofobia
 
Hoje, as 15h, o senador Sérgio Cabral, candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro se encontrou com representantes de organizações GLBT fluminenses. O encontro aconteceu na Barra da Tijuca na sede do Comitê Central da campanha de Sérgio Cabral.
 
Estiveram presentes no encontro Claúdio Nascimento, membro do Grupo Arco-Iris de Conscientização Homossexual e secretário de ações para os direitos humanos da ABGLT; Julio Moreira, diretor do Grupo Arco-Iris de Conscientização Homossexual; Marjori Machi, presidenta da Associação de Travestis e Transexuais do Rio; Katia Jones, diretora da Associação de Travestis e Transexuais do Rio; Vera Couto, diretora do Movimento Dellas e da equipe Técnica do Centro de Referência contra a Discriminção a Homossexuais do Estado do Rio, Renato Marques, presidente do Grupo Diversidade Niterói; Victor de Wolf, diretor do Grupo Diversidade Niterói; e Rosangela Castro, coordenadora do Grupo Felipa de Souza. Também participaram da reunião a deputada estadual Cida Diogo e o deputado estadual Carlos Minc, que articulou o encontro.
 
Houve dois momentos do encontro com o Senador Sérgio Cabral, o primeiro com os representantes do movimento GLBT e os parlamentares presentes e depois uma coletiva com a imprensa com o candidato, os representantes do Movimento GLBT do Rio e os parlamentares. Todos os principais órgãos de imprensa estiveram presentes: TV, Rádio, Jornais, Revistas, Sites e correspondentes internacionais.
 
No primeiro momento, o senador Sérgio Cabral falou do seu compromisso com os direitos humanos e com a causa dos direitos de GLBT, inclusive citando uma série de participações na ALERJ e no Senado. Explicou que o projeto de emenda constitucional de no. 70 -  que propõe o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo - não havia conseguido adesões, inclusive do próprio Movimento Orgnaizado GLBT. Destacou que o movimento GLBT reivindica a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo e não casamento. Cabral informou que o projeto não obteve parecer elaborado durante os quase três anos de tramitação no Senado e que ele apoiava a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Falou ainda que o casamento é uma instituição religiosa e que isso não é parte da própria pauta do movimento GLBT. Admitiu que o senador Crivela fez o pedido pela retirada do projeto. Disse que já antes das eleições havia pensado em retirá-lo, mas que não quis fazê-lo para não configurar como um abandono de bandeira que sempre defendeu. Destacou que de forma alguma permitirá em seu governo uma intromissão de outrem. Disse que um representante de sua campanha, já no primeiro turno, havia assinado a Carta Compromisso Por Um Rio Sem Homofobia e que naquele momento gostaria de ratificar o compromisso com a comunidade GLBT do Rio ao anunciar, explicar e assinar publicamente a Carta Compromisso.
 
O ativista Cláudio Nascimento, do Grupo Arco-Iris, foi escolhido pelos Grupos GLBT presentes como interlocutor no encontro. Nascimento disse que os ativistas ali presentes reconheciam a trajetória política do senador nas questões de direitos humanos, especialmente os direitos de GLBT. A atuação de Cabral, quando ainda era deputado estadual e presidente da ALERJ, foi fundamental para a aprovação da Lei 3406 de 2000 - de autoria do deputado Carlos Minc, que proíbe a discriminação por orientação sexual no estado do Rio - articulando com parlamentares apoio a lei. Também quando da votação do projeto de lei 3786 de 2001 - sendo co-autor com o deputado Carlos Minc que assegura o direito a pensão a companheiros do mesmo sexo de servidores públicos estaduais - saiu da cadeira da presidência da ALERJ e foi para o plenário defender o projeto. A lei já em vigor não é cumprida pelo atual Governo. Citou outros momentos da trajetória do senador ligados ao tema, como por exemplo, a articulação junto com o Carlos Minc e o Grupo Arco-Iris para a derrubada do projeto de lei do deputado-pastor Edno Fonseca, que propunha a criação de programas, com recursos públicos, para mudança da orientação sexual de homossexual para heterossexual. Nascimento reconheceu que o PEC 70 não havia recebido a adesão do Movimento Organizado de GLBT e que ele não era parte da sua prioridade legislativa. Entretanto destacou que a retirada da PEC 70 num momento político eleitoral polarizado como esse, representou simbolicamante um aceno ao fundamentalismo religioso e um abandono das bandeiras por ele defendidas. Ressaltou porém, que gostaria de ver afirmada no candidato outra posição, a dos direitos humanos e a da defesa do princípio constitucional do laicidade do Estado. Nascimento destacou que o candidato precisava fazer um pronunciamento público reafirmando seu comprometimento e assumindo uma plataforma concreta para a cidadania de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais do Rio.
 
Na sala com a imprensa foram ratificadas posições das partes, sendo feita uma declaração conjunta do candidato e de ativista do Grupo Arco-Iris Claúdio Nascimento. O candidato apresentou e explicou cada proposta de políticas públicas que assume junto ao Movimento Organizado de GLBT do Rio, caso seja eleito. Depois disso, o candidato ratificou com a sua assinatura a Carta Compromisso Por Um Rio Sem Homofobia. Cláudio Nascimento o presenteou com uma bandeira do arco-iris, símbolo mundial do Movimento GLBT.
 
Segue abaixo a Carta Compromisso por um Rio Sem Homofobia.
 
Grupo Arco-Iris de Conscientização Homossexual
Informações: 021 - 2208-2799  e 2238-8292
                    021- 8192-5232 (Cláudio Nascimento)
 
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 Compromissos por um Rio Sem Homofobia

Na qualidade de candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro acompanho com preocupação a questão do preconceito, da discriminação contra o segmento de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais(GLTB) em nosso Estado e reconheço a necessidade de implementação de políticas para o combate a homofobia e promoção da cidadania de GLTB.

Sendo assim, caso seja eleito, Governador do Estado do Rio de Janeiro, assumirei o compromisso em incorporar, nas realizações do governo, o seguinte:

1 - Apresentar, nos primeiros dois meses de governo, um plano detalhado para a aplicação da lei 3406 de 2000, com (A) capacitação do pessoal da área de fiscalização; (B) divulgação da lei; (C) criação da Coordenadoria de Defesa, Promoção e Garantia de Direitos de GLBT na Secretaria Estadual de Direitos Humanos para sua aplicação; (D) criação do fundo contra a violência, para acolher os valores advindos das multas cobradas aos estabelecimentos penalizados, com a devida participação da sociedade civil no acompanhamento da aplicação desses recursos em ações especificas. Todos esses itens foram definidos na regulamentação e até hoje não foram cumpridos.

2 - Conceder imediatamente todos os pedidos de pensão para companheiros do mesmo sexo de funcionários públicos estaduais cuja união for devidamente comprovada conforme prevê a lei 3786 de 2001. Hoje são mais de 50 pedidos de pensão que se encontram engavetados no Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro por preconceito e discriminação.

3 - Criar até o quarto mês de governo o Programa Rio Sem Homofobia, ações governamentais de combate a discriminação contra GLBT e promoção de sua cidadania, na diversas pastas do Executivo. Para isso criará no primeiro mês de trabalho uma Comissão Técnica para Elaboração do Programa, com a participação de entidades de defesa dos direitos GLBT. O Governo dotará o Programa de verbas para a implementação de ações nos municípios do Estado e no apoio as iniciativas das organizações GLBT.

4- Incluir nos primeiros quatro meses o Centro de Referência contra a discriminação a Homossexuais do Estado do Rio e o Disque Defesa Homossexual na estrutura formal da Secretaria de Segurança Pública. O Centro deverá ser dotado de recursos humanos e financeiros para o efetivo cumprimento de suas funções de acolher, registrar, encaminhar e acompanhar os casos de violência contra GLBT nas delegacias de polícia e outros agentes de policia civil e militar. Isto tem o objetivo de resultar na efetiva investigação do caso e na melhoria do atendimento, visto que, na maioria das vezes, a vítima quando assume a sua orientação sexual ou relata a situação que visibiliza a sua sexualidade, há um total descaso ou mal atendimento, colaborando com a manutenção do ciclo de impunidade. Criado em 1999, o Centro de Referência hoje é mantido principalmente com o esforço de voluntários.

5- Criar na Polícia Civil o Núcleo de Investigação Especializada para crimes envolvendo a violência por discriminação racial, identidade de gênero e orientação sexual, com inspetores e delegados que já vem atuando no tema de segurança pública e violência contra GLBT. Essa medida possibilitará uma apuração adequada e efetiva, além de contribuir para a formação de dados sobre os tipos de violência e possíveis semelhanças nas investigações.

6- Fortalecer a Assessoria Estadual de DST-Aids e Hepatites, com verbas do Estado para medicamentos, exames, camisinhas, gel lubrificante, pesquisas, prevenção e assistência. Com os recursos cada vez mais escassos, oriundos do Banco Mundial, o Estado do Rio de Janeiro precisa dotar-se de uma política responsável com a saúde pública, já que vem apresentando altos índices epidemiológicos em DST, Hiv/Aids e Hepatites. Investir em prevenção das DST, Hiv/Aids e assistência às pessoas com doenças Hiv/Aids e/ou Hepatites contribui para a economia dos recursos em saúde pública, especialmente nos gastos hospitalares.


7- Manter e fortalecer a Secretaria Estadual de Direitos Humanos como uma pasta de atuação transversal a todas as outras, garantindo o recorte de direitos humanos em todas as políticas governamentais. Para isso, será necessário dotá-la de orçamento adequado para que consiga cumprir suas funções no campo da prevenção, educação, correção e atenção.

8- Defender e garantir o princípio republicano da laicidade do Estado em todas as áreas de governo. Para isso o governo promoverá valores de respeito aos direitos humanos e e que combata, com ações efetivas e de caráter contínuo, a homofobia, o racismo, a discriminação de gênero, deficiência física e estado de saúde, além de afirmar a pluralidade cultural e religiosa de nosso povo.

9- Reconhecer e promover a participação de representantes de organizações GLBT nos espaços de formulação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas, como nos Conselhos de Educação, de Cultura, Segurança Pública, Direitos da Mulher, Direitos Humanos e Juventude.

10 – Reconhecer o caráter cívico, cultural, educativo, cidadão, de reivindicação por direitos de GLBT, garantindo e apoiando a realização das Paradas do Orgulho GLBT do Estado do Rio Janeiro e demais manifestações e ações que promovam uma cultura de paz, de combate a homofobia e de celebração da diversidade sexual.

Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2006.


Sérgio Cabral Filho

Candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro

PMDB – 15 Coligação

This entry was posted on terça-feira, outubro 10, 2006 .